MAIS UMA PÉROLA DO SR. ALBINO E COMPANHIA

21 05 2008

Ouvi ontem a notícia de que está a ser feito o caldinho para fundir o 1º e 2º ciclos num só!

Assim que ouvi isto disse: Eh pá, finalmente uma medida de jeito!

Contudo, qual não foi o meu espanto quando ouço o Sr. Albino (sem surpresas) apoiado por outros cérebros de créditos firmados no ramo educacional (esse sim, com surpresa) e o próprio Conselho Nacional de Educação a partilharam a ideia; e que ideia?

Fundir os seis primeiros anos do Ensino Básico, mas transformando-os no actual 1º ciclo, com apenas um professor titular da turma durante os seis anos!

De tão inacreditável proposta, eu acredito que jamais algo parecido se possa consumar!

Eu ando há mais de 10 anos a dizer que o cancro do ensino em Portugal começa nessa aberração que é o modelo que temos instalado no 1º ciclo em que um desgraçado de um professor tem a seu cargo o trabalho de dez ou mais pessoas, tendo de, simultaneamente, ser professor de Português, Matemática, Estudo do Meio, quatro Expressões, Formação Cívica, Estudo Acompanhado, Área de Projecto e, como se não bastasse, multiplicar isto tudo por dois, três ou quatro, consoante o número de anos lectivos que tem simultaneamente na sala!

Será que não há uma cabeça (umazinha que seja) com responsabilidades políticas e legislativas que se aperceba que isto não é possível? Será que não há uma alma caridosa que constate que, por muito heróis e heroínas que sejam os professores do 1º ciclo (e são-no) não é possível preparar alunos nestas condições para chegarem ao 2º ciclo com as bases necessárias?

Ora, como o Sr. Albino e companhia acham que isto é que é ensino de qualidade, querem alastrar a aberração ao 2º ciclo, porque acham que as criancinhas são muito traumatizadas na transição entre os dois ciclos. Querem, portanto, um professor (que professor será?) a leccionar todas as áreas do 2º ciclo aos meninos. Portanto, Srs. Professor de… sei lá… Educação Física, preparem-se para dar Matemática ao 6º ano!

Mais uma vez digo que o absurdo, o aberrante, o torpe, o ridículo que rodeia tal ideia, impedirá que jamais alguém se atreva a pô-la em prática.

 

Voltando ao início, quando disse que fiquei contente com a ideia de fundir os dois ciclos, foi pela simples razão de defender precisa e absolutamente o contrário de tal aberração, ou seja, quando estes mentecaptos políticos perceberem que dinheiro gasto em Educação é um investimento (aprendam com os nórdicos) e construírem Centros Educativos ou Escolares com 6 anos lectivos, devidamente coordenados, encadeados e sequenciados transversalmente, mas devidamente seccionados por áreas disciplinares desde o 1º ano, com cada professor a dedicar-se por inteiro a uma área, interligando-a com as outras através de contacto permanente com os colegas de docência (aí sim teríamos reuniões produtivas), estaríamos no início da mudança.

Mas essa medida precisa de, pelo menos, duas premissas que nenhum político tem coragem de tomar: primeiro transformar esse «lindos» edifícios do plano dos centenários e outros mamarrachos similares que pululam nas aldeias, naquilo que quiserem menos em escolas, enfrentar a populaça que se insurgirá com, pelo menos, a mesma firmeza com que afrontam os professores; e em segundo lugar, investir muito mais em meios logísticos e humanos para, depois de construídos, apetrechar esses Centros Escolares com todas as condições necessárias a um ensino de qualidade.

Esta ideia ninguém me tira: quando três sectores da Educação andarem satisfeitos e trabalharem com a alegria de missão cumprida, teremos um Educação de sucesso: alunos, professores e Órgãos de gestão; o Ministério? Esse não interessa para nada, a não ser para aquilo que foi inventado: gerir o sistema externamente, pagar a quem deve e borrifar-se para estatísticas, pois elas estariam boas e recomendar-se-iam!

Se alguém me conseguir provar o contrário, eu retiro-me e vou trabalhar para as obras, pois não percebo mesmo nada de Educação.

 

Paulo Carvalho

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