O TEXTO QUE EU GOSTARIA DE TER ESCRITO!

29 10 2008

Continua a deixar-me incrédulo o clima de medo em que as pessoas vivem neste país que se diz democrático! Leiam este texto, que julgo abordar quase tudo o que vai na alma de cada professor, e constatem como a autora não se revela, por razões óbvias, ou seja, MEDO!!!

Lanço daqui o repto à autora para que assuma o texto, que eu e mIlhares de professores subscrevemos na íntegra! Tal como eu dizia num post neste blogue: SEJAM LIVRES, PORRA!

Ei-lo:

‘AS ESCOLAS PORTUGUESAS ESTÃO UM VERDADEIRO CAOS!!!!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Depois de ouvir hoje o que disse a Srª Ministra, depois de ler os
desabafos de muitos colegas nossos, na minha Escola, na blogosfera,
invadiu-me uma raiva que não consigo mais conter e gostaria de a
gritar ao Mundo.

Dizia a Srª Ministra, com o seu ar sereno, que ‘o processo de
avaliação de desempenho dos professores está a avançar de ‘forma
normal e com grande sentido de responsabilidade’ na maioria das
escolas.’ e eu pergunto Srª Ministra:

– Quem tenta enganar? Os Professores? Os Pais dos alunos? A opinião
pública? A Comunicação social? Quem? A si própria? O seu governo?

Na maioria das Escolas, Srª Ministra, a situação é esta:

– Os Professores estão cansados, desmotivados, não aguentam tanto
trabalho para nada. Reuniões, grelhas, objectivos, mais reuniões,
relatório, mais reuniões… e continua assim, semana atrás de semana.
Resultado:

Os Professores não têm tempo para aquilo que gostam de fazer: ENSINAR!!!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das escolas, muitos Professores que até agora eram
empenhados na preparação das suas aulas, limitam-se a fazer o mais
fácil, não têm tempo para pesquisa, para partilhar com os alunos. Os
alunos não aprendem!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das Escolas muitos Professores que tinham ainda TANTO para
dar à Escola, eram o pilar da Escola, uma referência para os mais
novos, estão a abandonar, vão para a APOSENTAÇÃO, mesmo com
penalizações graves! É fácil perceber: por cada três que saem, entram
apenas dois, com vencimentos muito mais baixos. O factor economicista
sempre à frente!

Não lhe passa pela cabeça, Srª Ministra, o potencial humano que as
Escolas estão a perder e os efeitos de tal fuga!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das Escolas, há Professores de baixa médica, Professores
esgotados que não aguentam mais esta loucura, que metem atestados e
então vem outro professor substituir ou não vem… não faz mal! os
alunos terão a farsa das aulas de substituição e, em vez de terem
Português ou Matemática, têm aula com um Professor de Ed. Física ou
Geografia… tanto faz, o que interessa é ter tudo ocupadinho,
Professores e Alunos. Srª Ministra, são muitas aulas em que os alunos
não têm aulas com o SEU professor, porque este está doente, em que a
matéria não é leccionada.

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Na maioria das Escolas, os Professores andam às voltas com o novo
Estatuto do Aluno. A Srª Ministra mandou cá para fora um documento em
que obriga os alunos que faltam a fazerem uma prova de recuperação
mesmo que faltem porque não lhes apetece, um documento que não prevê
distinção entre os alunos que faltam porque estão doentes e aqueles
que ficaram a dormir até mais tarde. Os Professores têm que fazer a
prova! Fazer a prova, prepará-la, corrigi-la, plano de
recuperação…quantas horas implica tudo isto, Srª Ministra? Solução
fácil! Esqueçamo-nos de marcar faltas! Se isto é para ser a brincar,
nós fazemos-lhe a vontade.

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

Os Professores que até ao ano lectivo anterior eram uma classe que
partilhava, onde não se sentia, regra geral, a competição, deixaram de
confiar uns nos outros, vivem em função da avaliação de desempenho,
num verdadeiro egoísmo. Desconfiam do colega que o vai avaliar, querem
apanhar as quotas dos Excelentes ou Muito Bom. O mau estar nas Escolas
é geral, um clima de desconfiança instalou-se!

A CULPA É TODA SUA, SRª MINISTRA!

E dirá a Srª Ministra: ‘Os Professores não querem ser avaliados’.
Engana-se Srª Ministra ‘Os Professores querem ser avaliados!!!! Sempre
foram, tal como Vossa Excelência é e será avaliada (talvez não precise
de tanta grelha, mas será!!). Os Professores fazem um trabalho
público! São avaliados diariamente. QUEREM UMA AVALIAÇÃO SÉRIA e não
um faz-de-conta.

Mas acha, Srª MINISTRA, que é avaliar seriamente um Professor, quando:

1 – Um colega (que pode ter menos habilitações e não é da área
disciplinar) vai assistir a TRÊS aulas em 150 aulas que um Professor
dá à turma? É tão fácil BRILHAR em três aulas, mesmo que nas outras
147 não se faça nada! Os Professores já tiveram aulas assistidas nos
estágios…. Sabem fazê-lo. Não têm medo disso, Srª Ministra!!! Isto é
avaliação séria, Srª Ministra?

2 – Um colega Coordenador de Departamento é de Francês/Inglês
(excelente profissional na sua área, mas como viveu muitos anos em
França, tem dificuldades na língua Portuguesa) vai avaliar um colega
de Estudos Portugueses que, por não ter tido tantos cargos como o
primeiro, não é TITULAR e por isso vai ser avaliado nas suas aulas de
Português (com 30 anos de serviço) pelo primeiro. Isto é avaliação
séria, Srª Ministra?

3 – Um colega de Educação Tecnológica, com uma licenciatura da
Universidade Aberta obtida há alguns anos, vai avaliar colegas de
MATEMÁTICA do seu Departamento (Ciências Exactas), alguns já com o
Mestrado na área (Repito: os colegas são excelentes profissionais, mas
não PODEM SER avaliadores de quem tem mais ou diferentes habilitações
do que eles. Eles não têm culpa e muitos desejavam não representar tal
papel). Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

4 – Um dos elementos da avaliação dos alunos é a progressão dos
resultados escolares dos seus alunos. Srª Ministra, é tão fácil
falsear a progressão dos resultados escolares dos alunos…se NÃO formos
sérios e quisermos contribuir apenas para o sucesso estatístico. Acha
que os Professores, sabendo que estes dados contam para a sua
avaliação, vão dar classificações baixas? Isto é avaliação séria, Srª
Ministra?

5 – E o dito portefólio ou ‘dossier pedagógico’ ser outro factor na
avaliação?! É tão fácil, hoje em dia, enchê-lo com materiais LINDOS,
pedagógicos….mesmo que os alunos nem os tenham visto, mesmo que estes
materiais não sejam nossos. Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

E finalmente, uma das aberrações do 2/2008

6 – O Presidente do Conselho Executivo, e simultaneamente Presidente
do Conselho Pedagógico, não precisa ser TITULAR! Como explica isto Srª
Ministra? A senhora Ministra criou esta distinção entre TITULARES e
PROFESSOR! Então os Professores TITULARES não seriam aqueles que iriam
desempenhar as funções de maior responsabilidade nas Escolas, um grupo
altamente qualificado? Ou será que o Presidente do CE e do CP não é um
cargo de responsabilidade? Como justifica que não seja necessário o
título de TITULAR, se para outros cargos de menor importância, como
Coordenador de Departamento ou de Directores de turma tal cargo é
exigido? EXPLIQUE Srª Ministra! E quando este mesmo Presidente do
Conselho Executivo tem apenas o equivalente ao antigo 7º ano (ou seja,
é bacharel, depois de uma formação à distância de alguns meses)? Há
TANTOS nas nossas escolas! Vai avaliar colegas com mestrados e
licenciaturas? É ele que vai avaliar TODOS os colegas da Escola.
Muitas vezes, para além de ter habilitação muito inferior aos
avaliados, há anos que não lecciona! Isto é avaliação séria, Srª
Ministra?

7 – Claro que há Professores, como há médicos, como há advogados, como
há MINISTROS menos competentes. Mas acha que é assim que a situação
vai melhorar? Quem não é tão bom profissional, vai continuar a não
sê-lo e os bons agora também não têm tempo para o ser. Por que razão
não se ajuda com avaliação formativa aqueles que têm mais
dificuldades, sem o intuito de os penalizar? Acha que é justo um
avaliador faltar às aulas das suas turmas (12avaliadosx3 aulas de
90mn= é só fazer as contas) para ir avaliar colegas? E os alunos ficam
entregues a outros Professores que podem não ser seus? Então primeiro
a avaliação dos Professores e depois a dos alunos?

Isto é avaliação séria, Srª Ministra?

Srª Ministra:

– Sou uma professora que, tal como milhares neste país (a senhora viu
quantos no 8 de Março, mas fez que não viu!), dediquei toda a minha
vida ao Ensino. Dei sempre o meu melhor, trabalhei com gosto para os
meus alunos, férias, fins-de-semana, noites; gosto de ensinar mas
sinto-me REVOLTADA por a srª Ministra nos ter tirado (ou querer tirar)
esse grande prazer: ENSINAR!

– Sou uma Professora que, tal como milhares neste país, poderia ir
agora para a reforma, mesmo com penalizações, mas VOU RESISTIR, não
vou deixar que me obriguem a abandonar com mágoa, os meus alunos, a
minha Escola!

– Sou uma Professora que confio no bom senso e tenho esperança que
ainda vá a horas de não deixar a degradação atingir, ainda mais as
nossas escolas.

– Srª Ministra oiça gente que sabe, (muita gente) dizer que é um crime
o que se está a passar nas escolas portuguesas. Medina Carreira disse
há poucos dias que se os pais tivessem a verdadeira percepção do que
se está a passar na Escola em Portugal, viriam para a rua. Ele sabe do
que fala.

– Srª Ministra OIÇA os Professores. Eles estão nas Escolas, no
terreno. Mais do que ninguém, eles estão a dizer-lhe que assim NÃO
teremos sucesso educativo. Assim, o sucesso será apenas ESTATÍSTICO e
ECONÓMICO!

OS PROFESSORES (na sua maioria) SÃO SÉRIOS! QUEREM ENSINAR E QUEREM
QUE OS SEUS ALUNOS APRENDAM! CONFIE NELES!OIÇA-NOS SRª MINISTRA!

E para terminar, um poema de Alberto Caeiro que encontrei hoje no blog
Terrear e uma frase de JMA.

Des (aprender)

Procuro despir-me do que aprendi
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu…

Alberto Caeiro

P.S. Peço desculpa a quem me ler, pela agressividade de algumas
expressões, mas tenho de soltar este grito de REVOLTA! Aos puristas
linguísticos, também, mas a intenção não foi fazer prosa. Imaginei a
Srª Ministra à minha frente e pus no papel aquilo que gostaria de lhe
dizer.

Peço desculpa também por não me identificar (por enquanto). Não o
costumo fazer, mas as razões são óbvias!

UM ENORME BEM-HAJA A TODOS OS PROFESSORES!’

‘A grande e inadiável urgência de desaprender. De ver. Mesmo que isso
nos custe. Porque a alternativa só pode ser a cegueira’ JMA in blog
Terrear

Postado e absolutamente subscrito por Paulo Carvalho

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32 responses

29 10 2008
João Fatal Pereira

o que mais admiro em si, no seu texto, quero dizer, para além da profunda sensibilidade e espirito de finura, é a contenção e serenidade que demonstra, pois só elas permitem a expressão superior da revolta que muitos de nós sentimos, mas não somos capazes de exprimir…Estou, pois, totalmente de acordo com o Paulo..é o texto que muitos de nós gostaríamos de ter escrito…parabéns e obrigado colega..também vou resistir….

29 10 2008
INÊS TELES

LI TODO O TEXTO. É MUITO BOM. TENHO MUITA PENA QUE NÃO SEJA LIDO PELA DESTINATÁRIA. É ABSOLUTAMENTE VERDADEIRO E NÂO CONSIGO ENTENDER COMO É POSSÍVEL ESTE ESTADO DE COISAS, NUM PAÍS QUE SE DIZ DEMOCRÁTICO, CIVILIZADO E QUE TEM COMO TIMONEIRO UM HOMEM QUE SE DIZ SOCIALISTA, PROGRESSISTA,MEMBRO DA UNIÃO EUROPEIA, BLA BLA BLA…
POBRE DE UM PAÍS QUE TÃO MAL TRATA OS SEUS PROFESSORES!!!!!
RESTA-ME ACREDITAR NAQUELA VELHA E POPULAR MÁXIMA: ” CÁ SE FAZEM CÁ SE PAGAM!”
SÓ MAIS UM PEQUENO DESABAFO:O MAIS TRISTE DE TUDO ISTO – HÁ NAS ESCOLAS GENTE MUITO ACOMODADA, MUITO “POUCOCHINHA” E COM UM SENTIDO DE PROFISSIONALISMO E DE SOLIDARIEDADE PROFISSIONAL A RONDAR A CAVE “- 5” !!!!… A MEDIOCRIDADE EXISTE…E NAS ESCOLAS TAMBÉM!!!! INFELIZMENTE, ESSES MEDÍOCRES, GRAÇAS A ESTA “INTELIGENTE” AVALIAÇÂO TALVEZ VENHAM A CONSUMIR OS EXCELENTES DAS QUOTAS DISPONÍVEIS!!!! É PORTUGAL NO SEU MELHOR!!!
SAUDAÇÕES ACADÉMICAS E DEMOCRÁTICAS!!!!
Inês

29 10 2008
mariaflor

Não sendo professora ,mas compreendendo a infelicidade de se ser professor neste (novo) país,quero como mulher elogiar esta grande mulher que soube abrindo o seu coração e a sua inteligencia ter escrito este texto tão denso e cheio de coragem ,eu teria posto o nome,pois só nós podemos honrar
o nosso nome,principalmente nestas causas.

30 10 2008
Mário Ferreira Pinto

Apenas para dar os parabéns à autora do texto

Resista sempre

30 10 2008
ricnsilva

Partilho da sua revolta.

Os ataques sucessivos ao sistema de ensino português condenam o futuro de Portugal e das próximas gerações (como se já não bastasse a crise económica que dura há anos).

A minha Mãe foi (uma muito esforçada) Professora do Ensino Básico durante a maioria da sua carreira profissional, complementada com vários anos no ensino recorrente.

Foi vendo o esforço e dedicação que ela punha no Ensino, no seu dia-a-dia, os sacrifícios que fazia, e a estima e admiração dos seus alunos, quando os encontrava anos passados, que sempre fomentou em mim o respeito e consideração que ainda hoje nutro pelos (verdadeiros e genuínos) Professores deste País.

Só como exemplo, deixo aqui um testemunho real recente do que custa a verdadeira dedicação ao Ensino:
Ensino em Portugal – Visto pelos Professores (por Sandra Barbosa)

É fundamental inverter o ritmo de degradação do Ensino Português e melhorar as condições de trabalho de todos aqueles que se esforçam e vivem diariamente os desafios de dotar crianças e jovens com as ferramentas necessárias para enfrentar os desafios do futuro.
Para que possam ter esperança.

Os meus parabéns sinceros à autora do texto acima pelo grito de alerta.
(Não deixa de ser preocupante que não o tenha assinado devido ao clima de terror e suspeição que se vive actualmente em Portugal…)

E os meus cumprimentos ao Paulo Carvalho por divulgar e subscrever o texto.

Ricardo Silva
Autor do novo ebook “Quero Voar!”

31 10 2008
Carlos Pais

Grande mulher e colega pela sinceridade. os prof. estao convosco

31 10 2008
Maria Feliz

Faço minhas a s palavras da colega Inês Teles e acrescento que para além da Sra. Ministra, são também responsáveis pelo caos da escola pública todos os deputados da ssembleia da republica, sem excepção. Calar é consentir…..

31 10 2008
Tiago

Este texto devia correr TODAS as escolas para todos assinarmos.

É o sentimento geral.

E como o Paulo diz – SEM MEDO

Esta gentinha não merece o nosso medo – eu só tenho medo do que respeito!

Abraço
Tiago
http://democraciaemportugal.blogspot.com

1 11 2008
Paula

Eu partilho tudo o que está escrito. Também sou professora.
Se todas as “formigas” se juntarem os “gafanhotos” são derrubados!

1 11 2008
Graça

O texto da Colega é a revolta da injustiça escrito com ciência, pedagogia e educação, isto é, com tudo aquilo que se tornou desnecessário ao ensino, pois para se obter o sucesso escolar esvasiou-se os conteúdos da alma do professor.
Não me importo nada com a avaliação, mas o modelo é tão aberrante que ofende a inteligência!.
Toda a vida fui socialista ,convicta, em obediência a princípios de interioridade e de solidariedade. Toda a vida, sem nunca me filiar ou ir a um qualquer comício agi no maior respeito para com o outro. Tenho 57 anos e sei que fui e tenho sido uma referência para os alunos que tanto ajudei a “formatar”, ensinando e educando com apelo à sua “dignidade”, como essência do homem e do estar na vida.
Hoje, verifico que foi tudo em vão! Como transmitir valores, formar alguém, se legalizam a injustiça e ofendem princípios como a Igualdade e estropiam o meu direito fundamental à progressão na carreira?
Vou ser avalidada por quem, tem menos anos de serviço, por quem ganha menos do que eu, mas tendo tido cargos (dos quais beneficiou de redução de horário) veio a ser duplamente beneficiado e passou a titular, enquanto eu, sem faltar, leccionei as minhas aulas e até 12.º anos com exames nacionais.
Assim, com esta idade, deixei de ser socialista. NUNCA mais terão o meu voto, sob pena de eu não ter vergonha na cara nem respeito por mim própria!
E, A CULPA não é só a Senhora Ministra é também de José Socrates, que ignorou uma manifestação tão representativa, manteve o apoio incondicional àquela e em vez de a demitir continou, manteve e apurou um processo legistativo no desrespeito pelos mais elementares princípios de Justiça e igualdade.

1 11 2008
Maria Isabel Dias Correia

O desencanto que nos atinge…a farsa em que se transformou o ensino.

2 11 2008
Paulo Macedo

Apoiado…!!!

Aqui está dito tudo o que os professores (e não só do primário e secundário…, mas também do superior – como eu, sentem relativamente a este escarro de ministra a cujas instituições de que é responsável estamos a entregar os nossos filhos). Este calhau com 2 olhos com óculos e inteligência de galinha devia ir para casa lavar pratos (ou talvez limpar latrinas nas escolas…) em vez de estar à frente de um ministério tão crucial como o da educação…
Mas para dizer a verdade, eu (casado com uma professora de matemática do secundário, que partilha completamente o meu ponto de vista relativamente a tal rastejante criatura…) não estou muito preocupado…!!! É que já sopram ventos de mudança a nível internacional…. e se não para quê veja-se o que está a acontecer com o sistema financeiro… Isto é o canto do cisne de um Sistema que está podre e alimentado por esterco como esta ministra com o seu chefe hierárquico (1º ministro) e toda a corja dos seus colegas.
E a mudança que se desenha vai ser muito maior que a que se deu na Revolução Francesa… Se eu fosse a esses canalhas, começava a passar a mão pelo pescoço e a imaginar como é que se vão sentir quando forem pendurados por uma corda como aconteceu ao Mussolini… pela populaça de que tanto desdenham… E podem ter a certeza que não falta muito…
Estou convencido que não vai demorar mais que dois,… quando muito três anos para que tal se concretize. Basta que as pessoas comecem a deixar de pensar no futebol e telenovela e se dêem conta do que está acontecer a nível internacional com a sua vida. E isso é uma bola de neve que já se está a começar a formar e se vai tornar imparável… É só necessário que cada um de nós faça a sua parte… e esperar…(pouco…).
E isto não vai só limpar a canalha que existe no PS… No PSD e no CDS-PP vai acontecer a mesma coisa… e se ficar por aqui e não varrer toda aclasse política… vão com muita sorte…
E depois de uma limpeza dessas, a humanidade vai respirar de alívio e começar…(talvez quase do zero…) a construir um Mundo Melhor… Mais Justo… e VERDADEIRAMENTE HUMANO. Onde As palavras LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE não sejam apenas usadas na retórica, mas se convertam no dia a dia dos Humanos. E não mais se fale em competitividade, mas sim em cooperação fraterna. E se pensam que isto é uma utopia irreal, comparem isto com o que aconteceu (e está ainda a acontecer no mundo da finança…). Acaso esse mundo (ou Sub-mundo) que consideramos tão real é mais real que isto de que falo…?
Isto vai cair… como o Muro de Berlim… que todos pensavam estar ali para ficar para sempre…

2 11 2008
joão nogal

Sublime!

3 11 2008
Vítor Rocha

Cara colega,
Subscrevo inteiramente as suas palavras!
Não sei se alguma vez pensou, mas a Sra. Ministra não está preocupada com a sua/nossa avaliação, porque a sua (dela e do primeiro-ministro) é de “Excelente”. Porquê? Porque ao contrário de todos os outros, ela cumpriu plenamente os seus (dela e do primeiro-ministro) objectivos, a saber: redução do déficit orçamental com o Ensino – “Excelente”; toda a gente sabe que o grosso de qualquer orçamento de qualquer empresa passa na massa salarial, por isso… havia que reduzir esse gasto. Eu não acredito que a Sra. Ministra esteja mouca às nossos rogos, simplesmente não se coadunam com os seus (dela e do primeiro-ministro) objectivos: medidas ECONOMICISTAS extremas e resultados ESTATISTICOS apresentáveis. Esses são os únicos interesse deste governo e, nesse tocante, a Sra. Ministra da Educação está a ter um comportamento exemplar. Mas que seria de esperar de um primeiro-ministro com o percurso académico do nosso? Só assim se explica como alguém pode demonstrar uma tão grande falta de respeito pelo Ensino e pelos Professores. Mas sabe o que realmente me preocupa, cara colega? Ver que, com tudo isto, a popularidade deste primeiro-ministro aumenta e, se as eleições fossem hoje, este governo voltaria a ser o mais votado. Não acha isso revoltante?…

3 11 2008
Rui Martiniano

A Srª Ministra da Educação fala do que desconhece. A Turma, de Laurent Cantet, é um bom filme para a Srª Ministra ver e ganhar a noção do que é SER PROFESSOR HOJE. Vá ver Srª Ministra. Cultive-se e informe-se do que está a tentar tratar.

3 11 2008
Rui Peres

Acho que já chegamos à conclusão que com palavras isto não vai lá. Se vocês, professores, se sentem injustiçados, como eu penso que estão a ser, façam alguma coisa para além de palavras. Entretanto, caso não façam nada, começai a aprender a fazer tabelas e tenham os critérios de avaliação na ponta da língua.

4 11 2008
Maria Aida Duarte

Revejo-me inteiramente no seu texto que subscrevo e aplaudo. “MATARAM A PAIXÃO”! -disse eu um dia, numa Acção de Formação de professores. Ao ler o retrato lúcido e real, que o seu texto descreve, da escola actual, eu não pude deixar de me sentir grata à vida, por a colega o ter posto cá fora e ter partilhado a sua / nossa REVOLTA. Obrigada. RESISTIREMOS!…

5 11 2008
vitormartinho

Olá, Paulo! Sou um recém-licenciado em Audiovisual e Multimedia, e estou absolutamente arrepiado pela situação educativa, que nunca foi absolutamente fantástica, mas que está a atingir uma escala Dantesca, ao que percebi e assimilei com este manifesto. Como cidadão consciente e preocupado com o que de menos bom se passa no país, e mesmo estando em Abu Dhabi, queria deixar a minha força e admiração aos professores que exercem o Amor pela profissão e lutam com todas as forças contra um polvo invisível que por vezes tenta castrar determinadas áreas, no curto prazo e por razões meramente matemáticas, parecendo ignorar que alimenta uma bola de neve que a médio/longo prazo vai voltar para cobrar juros das contas mal feitas.

Não querendo fazer desta proposta uma publicidade barata, no blogue que utilizo para colocar portefólio [vitormartinho.wordpress.com] tenho uma pequena foto-reportagem, muito inspiradora para qualquer pessoa, especialmente para quem lecciona. “Sebastião da Gama, o poeta beija-tudo”. Outra grande referência é Rómulo de Carvalho, o professor por trás do poeta (pseudónimo) António Gedeão, imortalizado com a “Pedra Filosofal”. Há um bom documentário sobre este tema –
“Romulo.de.Carvalho.e.seu.amigo.Antonio.Gedeao.RTP2.JPL.TVRIP”.

E fica o meu pequeno contributo para esta grande causa.

Força e Bom trabalho. Vitor Martinho.

5 11 2008
Maria José Horta

Também eu adorava ter escrito este belíssimo texto. Bem haja quem o fez.
Provavelmente tenho a idade da colega. Também eu digo, vou RESISTIR.
Mas faço-o pelos meus alunos e por mim. Não dou o direito a ninguém, muito menos a quem eu não reconheço valor, de me tirar o prazer de todos os dias ir para a minha escola ensinar.
Os ministros vão-se e vêm outros. Os professores ficam. Daqui a um tempo nimguém se lembra da tal senhora. Os meus alunos vão lembrar-se de mim.

5 11 2008
Maria Morais

Como mãe e avó e sempre encarregada de educação para lá da minha tão bela profissão – professora – refiro que a dor é bem mais profunda quando enganam os nossos filhos e netos. Neste momento as escolas são um engano. Aos professores ofereceram uma venda negra, aos pais ofereceram uma venda cor de rosa, por isso é que pouco enchergam, aos alunos ofereceram o vazio. Que competências aprofundam os jovens? Apenas aquelas que servem os sistemas económicos…O que mais longe está é-lhes vedado. Os professores esgotam-se e afogam em papais…Onde está a tão bela liberdade criadora e expressiva, capaz de levar os jovens além matéria? Não resta mais tempo nas mentes humanas e o que mais se deseja vai restrigindo-se a “Ai quem me dera reformar-me!…” Para lá da minha tão nobre profissão, profissão que sempre mereci e por tal exijo que seja respeitada apenas sinto o vazio, o desencanto o “não me apetece”. São então os meus filhos, os nossos filhos que recebem este sentimentos. Quem mos legou? Sra. Ministra terá filhos? Bem dizendo, jovens na sua família? Eles a julgarão bem como a toda a sua equipa de “destrabalho”.
Sra. Ministra, como professora que é deve respeitar-se, respeitando-nos.

5 11 2008
Anabela Félix

Como as reuniões são muitas… e chego a casa mmmuuiittoo tarde!
Só agora tive conhecimento deste texto. Pena é que não esteja identificado!…
Já reflecti muito sobre o tema e, por vezes, faço alguns comentários para os amigos, quando estou mais zangada e cansada de tanta reunião e confusão.
A família está a ficar esquecida… a preparação de aulas é escassa… e pergunto eu!
– Onde está o tempo para nos cultivarmos??? Para consultarmos e lermos livros?
Ir a exposições e conferências??? Ver um bom espectáculo??? Enfim … tudo o que deviamos fazer para nos actualizarmos e continuarmos a ser professores criativos.
A Srª Ministra deve estar a pensar que as acções de formação que nos vão obrigar a frequentar são o suficiente para a nossa formação contínua???
A nossa formação ao longo da vida faz-se disso mesmo. Da vida que passamos a ouvir os outros, a ver os trabalhos dos outros, a ver e contactar com outras realidades, a passear por uma livraria, e muitas, muitas outras coisas que nos dão prazer e, por isso, transmitiamos aos nossos alunos, também com prazer… As turmas nem sempre são fáceis mas, muitas vezes arranjámos força e com alguma criatividade lá íamos ultrapassando o mais díficil.
Agora, Estou cansada de tanta ignorância e burocracia e quase no limite!!!
Infelizmente não sou a única…

6 11 2008
Pela Blogosfera - Espaço Web De Paulo Carvalho « A Educação do meu Umbigo

[…] O TEXTO QUE EU GOSTARIA DE TER ESCRITO!   […]

6 11 2008
filipa

Muito bem, Paulo! Medo de quê? TODOS os professores deste país subscrevem este texto. Instaurem-nos processos disciplinares a todos!

6 11 2008
grelhada

Este texto diz tudo.
O anonimato é a consequência de a colega,–com a qual me solidarizo, –saber que o dinheiro que é poupado no que seria realmente importante na Educação sobra sempre a rodos para sistemas de controle e repressão. Os tiques de autoritarismo não largam aqueles que, no nosso querido Portugal ,uma vez ocupado o poder,se concentram quase exclusivamente nas melhores maneiras de o manter a todo o custo. E ainda falam em “cultura do mérito”…. Deixem-me rir… para não chorar.

6 11 2008
Olinda

Parabéns à colega que escreveu este texto.
Temos de resistir!

6 11 2008
Ana Guerreiro

Felizes os dias em que eu tinha a idade dos meus filhos e em que o ensino no nosso país era de louvar, em que os alunos aprendiam, realmente, qualquer coisa e em que os professores faziam aquilo que tanto amavam: ENSINAR!!!

Hoje, com um filho de 19 anos e outro de 8 é caso para perguntar: Que futuro para os meus filhos? Mais!!! Que futro para os filhos, netos e bisnetos da minha geração????

7 11 2008
Santos Silva

Sem querer tomar partido por qualquer das “partes”, permitam-me que vos deixe aqui alguns tópicos de reflexão e uma visão de quem está de fora e admito, não conhece profundamente as questões:

1-Sem dúvida que como acontece em todas as classes, existem muito bons, bons, razoáveis, maus e muito maus professores. Apanhei de tudo isto ao longo do meu percurso académico e confesso-vos que em termos percentuais a representatividade dos bons não é assim tão esmagadoramente superior à dos maus, situando-se a maioria num nível médio em que cumpre a sua função sem grandes falhas mas também sem grande brilhantismo (tal como acontece na maioria dos sectores de actividade).

2-Os muito bons e os bons marcaram-me e ainda hoje os recordo com saudade. Os maus e muito maus, também me marcaram e também me fizeram crescer sem dúvida, porque me mostraram como eu não queria ser na profissão que viesse a escolher.

3-Tendo uma experiência profissional construída totalmente no privado e em grandes organizações, aprendi que a existência de regras claras e de exigência são fundamentais para o bom desempenho colectivo, ainda que, individualmente possam causar comichões a muita gente.

4-Em toda a minha vida profissional convivi (e bem) com as quotas nas avaliações. Se por um lado podem causar sentimentos de injustiça, por outro, sem dúvida, fomentam a excelência, pois trata-se de uma avaliação comparativa onde são distinguidos os melhores (mesmo que no universo de análise sejam todos bons, o que eu não acredito). Acresce que acaba com o “nacional porreirismo” em que todos somos fantásticos. Tem os seus defeitos e as suas virtudes, é um sistema como outro qualquer… Obviamente que o mecanismo funcional tem que ser correcto e não excessivamente burocrático, o que pelos vossos comentários me parece não acontecer, devendo assim ser corrigido e afinado.

5- Parece-me ainda que dentro da classe dos professores existem interesses antagónicos, e custa-me sinceramente ver a posição de dominância de professores mais velhos, com lugar cativo e horários de meia dúzia de horas semanais que os libertam para as explicações que dão em casa e das quais retiram outro ordenado, enquanto os mais novos passam verdadeiros calvários nas situações de falta de colocação ou de emprego precário. Nestas coisas já se sabe, “quem se lixa é o mexilhão”…

6-Parece-me ainda que os interesses dos sindicatos nem sempre andam alinhados com os interesses da maioria da classe.

7- Por último, dizer-vos que não sou “pró” nem “contra” a ministra. Tenho a ideia de que tentou lançar um conjunto vasto de medidas, provavelmente muitas delas acertadas e com sentido e outras nem tanto. Teria gostado de ver uma atitude construtiva por parte dos sindicatos e não a posição de força e de bota abaixo total, que me pareceu existir desde o início. Acresce que qualquer mudança traz sempre uma resistência muito grande à mesma e que não há sistemas perfeitos, muito menos no seu início. É necessário testar, avaliar, corrigir o que está mal e aperfeiçoar o que está bem.

São apenas alguns tópicos de reflexão, uma visão diferente da todas as que até agora aqui li, sem o pretenciosismo da perfeição ou da razão, porque como vos disse, não conheço profundamente a realidade. Digamos que é uma visão a um nível macro mas que tenta alertar e desmontar um pouco a tese da “Ministra papão” contra o “Professor vítima” que sinceramente não me parece de todo ser real. Há erros e medidas sem sentido??? Certamente que sim! Discutam-se e melhorem-se, ou todos nós somos perfeitos no nosso dia-a-dia e nunca errámos?

Cumprimentos a todos.

8 11 2008
pjrcarvalho70

Caro Santos Silva:
É sempre para mim um prazer constatar que alguém dedica algum tempo ao meu espaço, sobretudo comentando longa e reflectidamente um post!
Neste caso, o meu amigo acaba de personificar, com excelência, aquilo que eventualmente irá na mente de quem está de fora, como é o seu caso, e compreende um pouco as duas partes em conflito. Muito do que disse é rigorosamente verdade (mexilhão, horários, maus professores, etc); agora isso jamais poderá justificar a concordância com os propósitos deste Governo no que a Educação diz respeito!
Ainda não ouviu nenhum professor dizer que não quer ser avaliado! Mas pense nesta avaliação, transposta à sua profissão, apesar de não a saber: imagine alguém decretar que um colega seu (seu amigo eventualmente) única e simplesmente porque é mais velho que o senhor, deve ter automaticamente um estatuto superior e, por isso, ser seu avaliador! Imagine que para o senhor ascender ao lugar dele, que até merece mais porque é melhor funcionário, apesar de mais novo, ele tem de lhe dar excelente! Imagine que ele não sabe nada acerca do seu trabalho, porque tem uma formação completamente distinta! Agora imagine que não é seu amigo; que é seu inimigo e não vai com a sua cara! Imagine que o senhor é mesmo excelente no que faz e quando está preparado para ascender àquele posto, é-lhe dito que outros 3 ou 4 colegas seus também foram excelentes e só podem entrar 2! Agora imagine que para ser avaliado tem de parar de produzir, conceber e elaborar resmas de grelhas e papéis com critérios pelos quais vai ser avaliado, critérios esses que são impostos pelos seus superiores, alguns dos quais respeitantes a situações que não pode controlar! Imagine que, se o senhor não fizer nada disto e continuar a ser um excelente trabalhador nunca parando de produzir, jamais ascenderá a qualquer categoria superior!
Enfim, meu caro Santos Silva, se ler o texto legal da avaliação de professores e o novo estatuto da Carreira Docente, verá que o absurdo e o surreal pululam e se por um lado tem uma aparente mão pesada para quem é mau professor, tem muito mais vincada um injustiça cega obrigando toda a gente a dedicar mais tempo a papéis e burocracias do que a, imagine-se, ensinar! E tudo isto para que um professor leve o resto da vida a tentar provar que é bom professor e que o deixem progredir na carreira!
Por algo «arruaceira» que possa parecer toda esta onda de reacção dos professores perante esta agressiva política que promove o faz de conta, obrigando os professores a simularem o sucesso dos alunos que nada fazem em prole da sua educação, ela apenas reflecte uma profunda irritação de uma classe de 150 000 pessoas que mais não tem sido que barbaramente ofendida por uma Ministra que vive à sombra de uma cobarde maioria absoluta.
Termino, dizendo que em nenhuma classe (professores incluídos) as pessoas têm que passar a vida a provar, por papéis, que são boas ou excelentes! Equipas ou comissões externas e isentas é que têm de provar que eles serão, eventualmente, maus ou constatarem a sua excelência através da observação do seu trabalho!

Paulo Carvalho

10 11 2008
Maria Botelho

Simplesmente fanástico!
Parabéns colega tb estou contigo
Sou educadora de infância e ADORAVA TER ESCRITO ESTE TEXTO.
Obrigada . RESISTIREMOS !
Cumprimentos a todos

11 11 2008
Santos Silva

Caro Paulo Carvalho,

obviamente que compreendo que tamanha insatisfação em tanta gente certamente terá uma razão forte para existir, apesar de eu, confesso-lhe, ainda não a ter entendido (e aqui provavelmente reside um dos vossos problemas – uma comunicação ineficaz).

O Paulo aflorou alguns pontos e agradeço-lhe por isso.

Deixe-me no entanto dizer-lhe como eu gostaria de ter visto a questão resolvida, a bem de todas as partes (professores, alunos, pais e governo):
Parece-me que da inúmeras medidas que foram tomadas por esta ministra, a que merece de facto uma contestação tão forte (independentemente de outras discordâncias pontuais que possam existir) é a avaliação. Ora, porque razão não houve um esforço inicial de concertação e de definição e ajustamento de um processo aceite por todos (já sabendo que nestas coisas, tem que haver cedências de parte a parte)? Foram os professores que resolveram “partir a loiça”? Foram os sindicatos que agiram livremente e de acordo com interesses políticos? Foi a ministra que não deixou qualquer margem de negociação? Todas estas? Outras? São perguntas, eu não sei a resposta, mas isto deveria ter acontecido.

Não considero de forma alguma a vossa acção como “arruaceira”, mas deixe-me dizer-lhe que manifestantes entrevistados, que quando questionados sobre a razão da sua presença no evento, não sabem justificar o que quer que seja e largam uma pouco convincente curta afirmação sobre a avaliação, também não vos “ajuda” perante a “opinião pública” (a que gosta de raciocinar, pelo menos).

Por outro lado, ouvi uma entrevista da ministra num qualquer canal de TV em que afirmou que foi criada uma comissão conjunta (em Março) com os sindicatos para acompanhar e avaliar a forma como estava a decorrer o processo e aceitar sugestões de melhoria ao mesmo, sendo que até agora o saldo do feedback dos sindicatos é ZERO. Ora, eu não sei se isto é verdade, (não ouvi nenhum desmentido), mas a sê-lo, é gravíssimo e não abona nada em favor dos professores, como compreenderá.

Parece-me mais uma vez que existe desorganização, desalinhamento e interesses provavelmente antagónicos do lado dos vários intervenientes da classe dos professores, que como disse, acredito piamente que terão razões para tão forte descontentamento.

Não estou de forma alguma contra os professores, até porque tenho familiares professores, mas parece-me que a situação tem sido mal conduzida e mal gerida de parte a parte, não estando a razão de algum dos lados, mas provavelmente a meio caminho das posições das partes.

É uma visão de fora, espero que não me leve a mal.

Cumprimentos.

12 11 2008
pjrcarvalho70

Caríssimo Santos Silva:
Nota-se que é uma pessoa atenta, inteligente e que pouco lhe escapa! Mesmo estando de fora, jamais se poderá levar a mal uma opinião como a sua! Mas eu não estou aqui para o desmentir naquilo que é indesmentível, sobretudo quando fala nas trapalhadas dos sindicatos (sabe que nunca me revi nem revejo neles) e nalguns professores que gritam e protestam por simpatia! E quanto ao desabono que estes fenómenos provocam na classe docente, é quase «la palisse!».
Agora, caríssimo, a minha guerra é outra!
A minha guerra, e a de mais cento e tal mil, é refutar veementemente um Estatuto de Carreira Docente que de carreira cada vez tem menos, em que o fanatismo economicista subverte tudo o que de sensato se pode imaginar; a minha guerra, e a de mais cento e tal mil, é recusar liminarmente um sistema de avaliação por pares em que avaliador e avaliado apenas diferem na idade e em que a aberração das quotas desacredita um sistema que à partida parece valorizar o mérito, tudo isto num incomensurável mar de burocracia; a minha guerra, e a de mais cento e tal mil, é, em última instância, recusar ser rotulado de responsável pela miséria cultural e educacional deste país! Só cadáver, aceitarei que um governo me impute responsabilidade por um falhanço socio-educativo de que ele próprio é o principal municiador, devido a políticas laxistas e de fabrico de sucesso aparente, baseado no facilitismo e na ausência de responsabilidade e sentido cívico.
Desta posição não arredo pé! Agora, caro Santos Silva, quanto ao modus operandi de toda esta guerrilha, com comportamentos reprováveis de parte a parte, isso nem comento, por estar tão de acordo!
Um abraço
PC

18 11 2008
CJ

Gostariam eu de perguntar a essa Srª Ministra se por acaso algum dia foi agredida por algum aluno numa sala de aulas e se por mero acaso foi assim tao gratificante. Nem tanto à terra nem tanto ao mar, mas por acaso a Srª Ministra quando aluna batia nos prefessores e também lhe achava piada? Somos nós os professores que educamos, somos nós os professores que muitas vezes deixamos de lado o que temos que cumprir por lei para darmos aos nossos alunos o carinho e a atençao que eles necessitam e lhes damos apoio e confiança para continuarem a sua vida com objectivos. . . Os professores têm todos o seu lado humano e, nao sao apenas máquinas que cumprem regras e leis ditadas por um partido ou uma Srª Ministra que simplesmente se digna a ir contra o que poderia ser mais correcto para a Educaçao tanto para os alunos como para os professores!

Estão as leis que vêm para a educaçao como aquela polémica de que um pai nao pode castigar o seu filho com uma palmada, que muitas vezes nao passa de um”limpar o pó”, porque coitadinho vais ficar frustrado. Por amor de Deus em que mundo vivem estas pessoas???Vivemos numa realidade de criar pessoas inuteis, de analfabetos, de coitadinhos??

Eu gostava de saber onde está o estatudo do professor, quais os seus direitos afinal, como pode ele ser agredid, como pode ele ter andar a justificar os comportamentos dos sues alunos, a falta de educaçao, como pode um recente professor pensar em costruir familia, como podem os professores com ja algum tempo de serviço estar com a sua familia e dar-lhes apoio se sao todos colocados longe? Como é que ainda alguem tem a coragem de dizer que nós os professores somos os inuteis mais bem pagos deste país??

Eu por vezes tenho vergonha de pensar que vivo num pais assim, sem palavra, sem educaçao, sem respeito, sem dialogo…

Para quê andar a tapar os olhos ao povo com esses cursos de 9º e 12º ano em que muitos sao “obrigados” ja com alguma idade a frequenta-los???Para quem nao sabe passamos a reduzir o numero de pessoas desempregadas a nivel das estatisticas, e para tal tb contribuem as famosas formaçoespara as quais somos encaminhados depois de terminar o curso…pelo menos ganhamos algum mas saimos da lista de desempregados!!!!e pra nem falar no alto nivel de pessoas que ja nao sao analfabetas no nosso país!!!

Isto foi apenas um aparte…Mas realmente o nosso país nao está so mal na educaçao…este momento passa a crise por todos os sectores, menos nos do 1ºs Ministros

beijinho e abraço

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