CONCORDO COM O SÓCRATES! E ESTA HEIN?

10 11 2008

Muito já se escreveu sobre a manifestação de ontem, 8 de Novembro! Contudo, como penso que já não há ninguém neste país que não saiba o que nos move, e só por má fé ou fundamentalismo político não nos dá razão, vou apenas tecer alguns comentários acerca do que ontem se passou. Começo por convidar-vos a ler a reacção do PM, in Correia da Manhã on line:

O secretário-geral do PS, José Sócrates, lamentou este domingo em Coimbra o “oportunismo político” dos partidos da oposição nas reacções à manifestação que ontem juntou dezenas de milhares de professores em Lisboa, em protesto contra o modelo de avaliação.

Na sua intervenção no XIII Congresso Distrital do PS de Coimbra, Sócrates considerou “lamentável o oportunismo dos partidos”, que “devem servir defender o interesse do geral do país e não para se colarem a reivindicações corporativas na esperança de ganhar uns míseros votos”.

“Os partidos de oposição sem tema e sem discurso andam à procura é de qualquer manifestação ou descontentamento para então poderem liderar. O que ficou visível foi que os partidos fizeram um lamentável aproveitamento político da manifestação”, afirmou o também primeiro-ministro.

“Já não esperava nada dos partidos à nossa esquerda, que têm a habitual estratégia de protesto, mas que o principal partido da oposição, que ainda há uns meses atrás aquando da outra manifestação dizia ao PS que se recuasse era uma vergonha, venha agora dizer que o Governo deve recuar”, criticou Sócrates, referindo-se à posição do PSD.

O primeiro-ministro enfatizou o discurso da ministra da Educação, reiterando que “a avaliação de professores é essencial para que (se possa) garantir um sistema justo e também uma escola pública de qualidade que se orgulhe dos seus professores”.

Sublinhando que se trata de um “acto de justiça e reconhecimento”, Sócrates sustentou que “todos compreendem que o pior que existia em Portugal era o sistema que se baseava apenas na promoção automática”.

Quero aqui dizer, claramente, que Sócrates tem toda a razão! Aliás, em todos os 6 parágrafos anteriores o PM transborda razão! Antes de me baterem, por esta assunção, acabem de ler as minhas palavras e quem delas discordar faça o favor de retorquir.

Confesso que apesar de ter ido às duas manifestações com toda a pujança, demonstrar o nojo que me mete este governo e esta política educativa, não me enojam menos, alguns comportamentos que delas decorrem. E acreditem que o que mais vómitos me causa, é de facto este oportunismo político; mas, se nada me admira este comportamento, vindo de uma asquerosa classe política portuguesa (toda ela, sem excepção), já me indigna o facto dos Sindicatos deambularem ao sabor do vento dessas tomadas de posição e fazerem disso opinião geral dos professores!

Eu não sou sindicalizado e, ainda que fosse, demarco-me por completo desta atitude! Eu não preciso do apoio da Dra. Manuela F Leite para estar convicto da minha razão; e gostaria que nenhum professor de tal necessitasse! Lembrem-se que o PSD em Março piscou o olho ao Governo aquando da sua inflexibilidade! Que raio de conduta é esta? Como é possível que pessoas com meia dúzia de neurónios que sejam, ainda dêem crédito a falácias politicas? Por favor, não invoquem apoios partidários, infestados de oportunismo eleitoralista, para reforçar a nossa razão! A aberração geral que qualquer mortal, de mente despoluída,  constata neste modelo de avaliação e no ECD é mais do que suficiente para essa razão ser dogmática!

Portanto, nunca me imaginei a dizer isto, mas Sócrates tem toda a razão naquilo que diz!

Mas se lerem o 5º e 6º parágrafo, a razão continua a assisti-lo! “a avaliação de professores é essencial para que (se possa) garantir um sistema justo e também uma escola pública de qualidade que se orgulhe dos seus professores”.  Não há professor que não concorde com isto, certo ou não? « o pior que existia em Portugal era o sistema que se baseava apenas na promoção automática”. Também concordo! Mas que porra de ideia peregrina a de que os professores não querem ser avaliados! Que estupidez!

Apelo daqui a que os professores se demarquem de posições alheias e que defendem as suas convicções sem reservas nem medos!

O facto de se alinhar numa manifestação de 100 000 pessoas, não nos pode tirar o direito de discordar de muitas posições e comportamentos da maioria! Sou avesso a jargões proletários e, por exemplo, achei que aquele minuto de silêncio rigorosamente cumprido por todos, valeu por mil rimas proferidas pelo animador de serviço! Piu, piu… está na hora… e não sei que mais, parecem-me gritos de humor ao estilo de claque de futebol que a mim nada me entusiasmam! E os políticos gostam é disso!

Amigos e colegas: celebrem a vossa razão com atitude! Dêem voz à vossa indignação com acções úteis a nível local; resistam a esta perfeita loucura vinda de políticos que nunca souberam o que é uma escola na sua essência! Continuem a dar primazia aos alunos! Não deixem que a escola vos apoquente ou cause stress! Os alunos são mais importante que as grelhas, os relatórios ou os projectos! Tenho a certeza que se as pessoas que estiveram em Lisboa assim fizerem, ignorando ou boicotando esta absurda investida governamental, uma de duas coisas irá acontecer: ou são instaurados 100 000 processos disciplinares, ou este Ministério se retrata da porcaria que tem feito; a mim parece-me muito mais provável a segunda!

Paulo Carvalho

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10 responses

10 11 2008
J. Moedas Duarte

Concordo com a generalidade do que aqui se diz. Detesto as macaquices, as palavras de ordem rimadas, as coleguinhas aos saltinhos e a cantarem parvoices adaptadas do Ó Malhão, Malhão.
São pormenores…mas a mim chateiam-me. Mas estive lá! Em Março e agora! E estou solidário. Fui um dos 5 000 que se reformou este ano com penalização de 4,5% e sinto uma revolta enorme.

No entanto tenho de dizer uma coisa ao Paulo: acho muito perigosa a ideia de execrar TODOS os políticos. Eles são emanação da sociedade que somos nós todos. Costumo dizer: nós, povo, falamos sempre mal dos políticos mas somos incapazes de nos auto – governarmos num simples condomínio de seis inquilinos! Há sempre conflitos e entregamos o trabalho a uma agência que nos leva o dobro do que gastaríamos em auto-gestão…
Execrar os políticos, “tout court”, é demasiado parecido com a conversa que levou Salazar ao poder nos anos trinta. Ele também era contra os políticos… e o povo que o apoiou ( porque ele foi apoiado pelo povo!) também falava mal dos políticos, Os piores políticos são os que falam mal dos políticos. Cavaco subiu ao poder com a mesma conversa… E os militares já andam por aí danadinhos por correrem com os políticos…

Abraço, Paulo, e obrigado pelo trabalho tão meritório de convocar e motivar a classe docente para a defesa do Ensino.

10 11 2008
Vítor Ramalho

Paulo

Se mudar para todos os políticos do sistema concordo inteiramente consigo.
Precisamos de uma nova classe de políticos que não estejam reféns nem do capitalismo nem do capitalismo de estado, que afinal não passam das duas faces da mesma moeda.

10 11 2008
Sérgio

Olá cá estou eu de novo !

É só pra dizer que, aquilo que o PS quer com ESTA avaliação é meter 5% de boys e girls do partido no topo das carreiras (autêntica maçonaria) para poderem controlar perpétuamente o país, mesmo quando percam as eleições. Esta estratégia tem estado a ser implementada em todos os sectores da sociedade no país. Com o rumo que as coisas estão a tomar, em breve só restará aos portugueses que não alinhem nas políticas e nas ideologias do partido, emigrar. . . emigrar …

Yes man !
Yes woman !

10 11 2008
fm

Paulo!
Lamento, mas não o sigo! Concordo com algumas coisas do que diz (a propósito das palavras de ordem e outras coisices) mas não no substancial! Sócrates é como os outros! Mais, já deu provas de ser mentiroso compulsivo, manipulador, aldrabão, desonesto intelectualmente, falacioso, etc…
Há outro discurso por detrás deste (reparaste no sorrisinho cínico do homem?)!
Há objectivos esconsos e escondidos por detrás de tudo isto! (Deves ter lido a minha “agenda oculta da educação”).
Este discurso do mérito, da avaliação, da competência, dos objecxtivos, da excelência, da promoção, etc… é vazio, oco, balofo! Faz lembrar o discurso da “tanga” para impor mais sacrifícios aos do costume e engordar quem tu bem sabes!
Aqui, na educação, é o mesmo!
Estes políticos sem ética nem moral, vaidosos, narcísicos, umbiguistas são os coveiros de uma sociedade soliária, com valores, onde o respeito pelo seu semelhante é a base de toda a construção do progresso.
Estes políticos de pacotilha não me merecem qualquer respeito pois não respeitam ninguém. São muitos fortes com os fracos e muito fracos com os fortes.
Não merecem o nome de verdadeiros políticos – os responsáveis pela condução de uma sociedade, que sabem ouvir, dialogar, negociar e tomar decisões para o bem de todos.
Um abraço
Touaki (Reino da macacada)

10 11 2008
INÊS TELES

Concordo com o Paulo e com o Moedas Duarte! E esta,hein?!!!Estive nas 2 manifestações. Vou estar na de 15 de Novembro, a não ser que tenha algo de muito importante que me impeça.
O Sócrates tem razão quando invoca o argumento do ACORDO COM A PLATAFORMA SINDICAL. Acontece que eu não sou sindicalizada. CALMA!!! Fui sindicalizada durante 25 anos. Cheguei a certa altura e percebi que os Sindicatos(TODOS!!!) não andavam a resolver seriamente os problemas quer do ENSINO quer da CLASSE DOCENTE. Saí. Aderi de novo, de alma e corpo em Março de 2007.Desiludiram-me, não irei tão longe, a ponto de dizer que me traíram….Mas DESILUDIRAM-ME MUITO. Agora estamos perante um problema muito sério e não é hora de desuniões. Deixemos isso para mais tarde! Também não me agradou a ORGANIZAÇÃO DA MANIFESTAÇÃO DE 8 de NOVEMBRO…Já pensaram que os Sind. tiveram pouco tempo para a organizar??? Quem os manda ser “GARGANEIROS” e em vez de se colarem à data de 15 de Novembro ( já anunciada pelos MOV. INDEP.) anteciparem a SUA Manifest. para 8 ??????? DE facto, aquelas PALAVRAS de ORDEM já cheiram mal….
Mas mais grave que isso é o MÁRIO NOGUEIRA,por quem tenho apreço, não ter mais imaginação e mais INTELIGÊNCIA COMUNICATIVA quando tem tempo de antena. Ele que fale do ESTATUTO Do ALUNO, por exemplo, que explique aos cidadãos que o que nos move não são APENAS INTERESSES CORPORATIVOS, etc, etc….Não quero o apoio da FEREREIRA LEITE nem do PAULO PORTAS…Não precisamos disso!!! A nossa razão é maior que qualquer partido ou Político!!!Quero lá saber da Ferreira Leite, do Paulo Portas ou do Jerónimo!!!!!Vamos à luta!!! Ninguém entregue FICHAS de OBJECTIVOS INDIVIDUAIS!!! A “ANTA da Sinistra que os faça”!!!
Abraço a todos e até 15 de Novembro em LISBOA
Inês

10 11 2008
setora

Claro que partidos e sindicatos tentam cavalgar a nossa indignação mas isso parece já estar claro para os professores que sem esperar ordens, nas escolas começaram o processo de recusa de todas estas iniquidades.
Mas fiquei com um problema – qual é o modelo de avaliação que o Paulo defende?
Acho que ando sozinha a defender que não quero avaliação. A única possível é a da assiduidade. Contem as minhas faltas e as suas justificações. Quanto a tudo o mais como avalia e o que avalia? E quem avalia?

10 11 2008
Ai meu Deus

Depois de te ler, parece-me claro que:

a) estás insuficientemente informado: sabes que do entendimento assinado pelas 2 partes (ME e plataforma) fazia parte um “anexo”? sabes o que a plataforma sindical deixou explicitado nesse anexo? Parece-me que ou não o sabes ou, se o sabes, não o tiveste em conta na argumentação a favor da ideia de que os sindicatos “deambulam ao sabor do vento”; (que fique claro: votei de braço no ar contra o entendimento; continuo a achar que foi má opção; mas daí não se segue que os sindicatos, nesta questão, andem ao saber do vento. Participei em reuniões sindicais onde — em todas — ficou bem claro que a luta contra este modelo de avaliação e este estatuto não ia parar);

b) não és um “habitué” destas andanças. Se o fosses, perceberias que estas manifestações não são funerais (antes o fossem, se os defuntos fossem quem nós sabemos); entre outras coisas, são festa (e não há mal nenhum em que a luta se faça em clima de festa). E os “jargões proletários” (supondo que imagino o que isso seja para ti) só o são para quem não vê para além deles: elas, as palavras de ordem, sintetizam objectivos; se tivesses estado em todas as muitas manifestações que fizemos ao longo do reinado socrático, saberias que, por exemplo, o “jargão” “A luta continua! ministra para a rua!” nunca apareceu até há bem pouco tempo — e isso não foi por acaso;

c) a noção de estratégia (e a distinção estratégia-táctica) é algo que não te passou por perto vivencialmente; se tivesse passado, perceberias que as alianças com o “adversário” (seja ele FLeite ou outro) são por vezes uma boa ajuda para derrotar o “inimigo principal” (isto aprende-se, por ex., no livro vermelho do Mao ;-)). O facto de não precisares do apoio de MLF para teres razão não implica que o seu apoio ta tire; mas implica que é mais um apoio para reforçar a tua/nossa posição em áreas onde é importante que ela seja reforçada. Eu (e outros amigos) enviei sms a Manuel Alegre, convidando-o a estar na manife — e depois enviei-lhe outro a manifestar desacordo pela sua ausência e avisando-o que poderia contar com a minha quando ele fosse candidato. Venham Alegres, Louçãs, Jerónimos, Portas, venham todos: quantos mais forrmos, melhor! São oportunistas? deixá-los ser! na hora devida, se for preciso, trataremos deles!

d) não reflectiste ainda o suficiente sobre o modelo de avaliação anterior a este; se o tivesses feito, duvido de que concordasses tão facilmente com Sócrates e com essa ideia tola da “promoção automática” (promoção muito menos automática do que agora é a despromoção, quando apenas podem subir a titular um número mínimo de profes). Se precisares, dou-te exemplos de colegas que não “subiram” por não terem cumprido os requisitos para tal (porque havia requisitos; Sócrates poderá não o saber — mas tu devias sabê-lo). Mais: o modelo de avaliação anterior era infinitamente mais justo e mais avaliador do que este;

e) fico por aqui, porque certamente nesta altura já não tenho leitores — e não vale a pena estar a gastar o meu latim em vão 😀

Abraço.

10 11 2008
João Pedro

Fugindo um pouco ao tema do post (que concordo) gostaria de deixar uma pergunta, pode ser que algum jornalista leia e passe a “investigar”. Quantos filhos de ministros, acessores, deputados… é que estudam em escolas públicas?! Não é o Socrates (e a ministra da educação) que diz que este estatuto é muito importante para credibilizar a educação? sendo assim tão bom porque não estudam lá os seus filhos?!
Abraço a todos.

11 11 2008
pjrcarvalho70

Amigo FM!
Parece-me que levaste a coisa para outro lado!… Então duvidas que concordo contigo em tudo?
O que te assustou foi a simples frase «estou de acordo com o sócrates», julgando nela algo de abonatório ao dito cujo! Nada disso! O que quis enfatizar foi justamente o nojento oportunismo dos politiqueiros do costume! Ele disse isso e… tem razão! Capichi?

Abraço

11 11 2008
pjrcarvalho70

Caro «Ai meu Deus»:
Para mim, pelo menos, o teu latim não foi em vão! Mas o nosso desacordo esfuma-se, acho, numa mera diferença de estilo! Eu sou um simples e anónimo professor, odeio política e políticos, não preciso de sindicatos, muito menos de apoios encapotados de oportunismos eleitoralistas e mantenho que o anterior modelo de avaliação não o era sequer, e mais não consubstanciava do que a mera progressão automática; e disso eu sei! Agora se me pergunta se acho que outro qualquer tipo de avaliação, bom ou mau, vai melhorar o nível dos professores, a resposta é um claro «não»!
A questão da festa e afins, reitero que apenas é uma questão de estilo! Se não és sindicalista, não te falta muito, daí que o teu discurso é mais que natural! Agora para quem é apenas professor, como eu, e gostaria de desenvolver a sua profissão em paz e sossego, sem interferências de quem nada percebe de Educação e não dá uma aula há muito tempo e se mete nos gabinetes a mandar para o terreno leis absurdas, o meu discurso também é natural!
Abraço

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