MAIS UM BRILHANTE DISCURSO DE PEDRO SANTOS

15 11 2008

“Todos os dias os professores salvam muitas vidas…Penso na minha colega a quem uma aluna, com graves problemas emocionais por ter perdido um familiar, agradeceu por, literalmente, a ter mantido agarrada à vida.

Todos os dias há pequenas histórias como estas que morrem, onde têm que morrer, no anonimato.

Afinal de contas, os professores não são super-heróis Há bons e maus profissionais como em todas as classes. Mas deixem-me desabafar que, apesar de todos os desânimos e frustrações, a maioria gosta do que faz e gosta mais de estar dentro de uma sala de aulas do que estar na sala de professores.

Resta então conhecer as causas da nossa revolta…

Com certeza que há coisas erradas neste modelo de avaliação dos professores que nos querem impor.

Como se pode querer rigor científico e pedagógico, quando pessoas de uma determinada área científica têm que avaliar pessoas de áreas científicas distintas (e, muitas vezes, com mais qualificações académicas)?
Como se pode acreditar num sistema que afecta a avaliação dos professores à taxa de abandono escolar, como se esta dependesse do “professor fazer o pino na sala de aula” e não de complexos factores económicos e sociais que escapam ao seu controlo?
Como se pode acreditar num sistema de avaliação que relaciona, de forma directa, a qualidade de um professor com os resultados dos alunos? Será um professor de Matemática duma escola de Lisboa, onde boa parte dos seus alunos tem explicações, melhor do que um colega do Interior rural do país, onde os alunos não dispõem das mesmas condições facilitadoras do sucesso?
Evidentemente que não estou a defender a “teoria dos professores coitadinhos”, teoria que não suporto, pois nem sempre os alunos que possuem melhores condições à partida, são aqueles que alcançam melhores resultados.
E porquê?! Precisamente porque, por melhor que o professor seja, há certos factores humanos imprevisíveis que ele não consegue controlar. Explico de outra forma: um médico pode prescrever a medicação correcta a um paciente mas, de seguida, não o irá acompanhar diariamente para verificar se ele toma os medicamentos de forma correcta.
Logo, se o doente não tomar os medicamentos e não melhorar, o médico não pode, obviamente, ser responsabilizado. Isto deveria ser fácil de entender, mas pelos vistos não é…
Logo, um professor deve ser avaliado, não pelo facto de um seu determinado aluno ter tido negativa, mas por todas as estratégias que utilizou para evitar esse desfecho.
E, sejamos brutalmente sinceros e honestos, não é assistindo a 3 aulas de 45 minutos, num ano lectivo, que se retiram conclusões sobre as qualidades e defeitos de um professor.
Dito isto, esta avaliação é apenas mais um instrumento de uma “política de cosmética”, uma encenação, uma farsa burlesca montada apenas para manobrar a opinião pública, tentando passar a ideia de que o “governo se preocupa com a qualidade do ensino”.
Por amor de Deus, poupem-me à hipocrisia! Se querem melhorar a qualidade dos meus métodos de ensino, mandem à minha escola alguém de reconhecida competência científica e pedagógica que me assista a várias aulas; e que depois me diga tudo aquilo em que eu posso melhorar para ser melhor professor e ajudar os meus alunos.
Não me enviem é mais das inspecções, como a que tivemos o ano passado na minha escola, em que a única coisa errada que detectaram é que “faltam muitos papéis”.
Ah, os papéis! Tudo no ensino em Portugal se parece resolver com mais um papel…Uma ficha, uma grelha, uma planificação, um plano, etc. Servem de alguma coisa?! Não importa! O que importa é que estejam nos dossiês. Para quê? Para nos protegermos…Para nos protegermos dos pais, dos recursos, da inspecção, …
Os professores estão cansados desta “política de medo” e querem recuperar um pouco da sua auto-estima e do amor pelo simples acto de ensinar.
E não toleram que se queira aplicar à avaliação de professores, a mesma política que o ministério tem aplicado para resolver os muitos problemas do ensino em Portugal: facilitismo!
O ministério insiste em mascarar as deficiências do nosso sistema de ensino baixando, de forma evidente e cientificamente inquestionável, o nível de exigência dos exames nacionais, de forma a conseguir resultados que impressionem a opinião pública. Tudo em nome da tal cosmética…
Evidentemente que o falhanço e o erro do ministério foi pensar que os professores iriam tolerar e engolir este mesmo princípio, aplicado à avaliação do seu desempenho; o pensamento deles foi o de sempre: “os professores preenchem a grelha, não resmungam pois estão habituados e porque vão vender a sua honra profissional a troco de um Bom…”
Pois bem, enganaram-se! Até porque a avaliação é apenas a gota que fez transbordar o copo.
Por isso, por mais que o ministério nos queira “corromper”, comprando a nossa rendição a troco da simplificação do sistema de avaliação, os professores não irão ceder. Porque o que está em causa são anos e anos de “políticas de facilitismo” e de “burocratizar para nada resolver”.
É essencial que a sociedade portuguesa compreenda que se está a viver um momento histórico único, o momento em que se decide sobre a credibilidade do ensino público português.
Não é apenas a ministra e a sua equipa que estão em causa, nem sequer a famigerada “avaliação docente”, mas sim anos e anos de políticas que estão a levar ao fundo o nosso ensino e, com ele, o próprio futuro da nação.
Se desistirmos, a história não terá contemplações para nós, pois teremos desperdiçado a oportunidade de mudar o rumo dos acontecimentos e permitir que o ensino público tenha futuro em Portugal.
O capitão Salgueiro Maia, a propósito da situação que se vivia em Portugal antes do 25 de Abril, terá dito um dia: “Há o estado da democracia, há o estado da ditadura e há o estado a que tudo isto chegou!”
Assim está o estado da educação neste momento. É do futuro dos nossos filhos e do nosso país que se trata e de não de uma simples embirração com a ministra do sector ou um prurido a qualquer forma de avaliação.

No geral, não tenho razões para acreditar que haja mais corrupção, incompetência ou mediocridade entre os professores, do que na restante sociedade portuguesa. Bem pelo contrário!

Dêem-nos paz para trabalhar e um pouco de respeito, se faz favor.

Obrigado

Pedro Nuno Teixeira Santos

postado e absolutamente subscrito por Paulo Carvalho

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3 responses

16 11 2008
claudia

Este modelo de avaliação, como todos os docentes já o constataram e, felizmente, muitas outras personalidades não ligadas ao ensino, é que este se constitui mais uma medida do actual governo para o aumento das estatísticas. É necessário que as nossas médias nacionais se aproximem das da UE. Só quem vive e lida com as provas de aferição e os exames sabe que tudo não passa de uma “aldrabice”, de uma manobra de distracção. Todos nós sabemos que os resultados das provas e dos exames são aqueles que o ME quer que sejam. Mas como ainda não chegava, há que impor um modelo de ADD que obrigue os docentes a remaraem para o mesmo lado da maré. Ao mesmo tempo, encolhe-se o orçamento, (que pode servir para proteger baqueiros corruptos!) ao humilhar docentes muitos anos de serviço, impondo-lhes estas tarefas de avaliadores, sobrecarregando-os com as funções lectivas e burocracia sem fim; obrigando-os assim, a sairem de livre e espontanea vontade, penalizados na pensão de reforma.
Colegas, isto é uma humilhação das mais vis e maisrepugnantes que se pode fazer a profissionais que dedicaram uma vida ao ensino, aos alunos, à escola pública, servindo o país!
Como é possível que o autismo de uma ministra veicule uma verdade que ela construiu num gabinete e a torne mais legítima que a verdade que mais de 120000 professores afirmam em praça pública?!
Estaremos todos nós errados e ela certa??!!!!
Não é hora de baixarmos os braços, pelo conbtrário, torna-se cada vez mais urgente e necessário lutar, lutar, “contra os canhões, lutar!Lutar!”
É indiscutivelmente verdade, “Se desistirmos, a história não terá contemplações para nós, pois teremos desperdiçado a oportunidade de mudar o rumo dos acontecimentos e permitir que o ensino público tenha futuro em Portugal”
Um abraço solidário a todos os meus colegas professores

19 11 2008
X

NÃO PREENCHAM!!!
ESTAMOS UNIDOS!!!
Não vamos cair no mesmo logro do concurso a titular!!!
NÃO PREENCHAM!!!!

20 11 2008
Atm

Avaliação de desempenho docente:
Parâmetros:
1 – Assiduidade ( encontram-se as faltas nas secretarias)
2 – Horários Lectivos e seu cumprimento.
3 – Turmas leccionadas
4 – Dossier do Professor: Programas
Programação das aulas
Unidades lectivas
Matéria leccionada ( e não leccionada)
Exercício e pontos
Avaliação dos alunos
(avaliação do aluno pelo professor,
Auto e hetero-avaliação na e da turma)
Avaliação do Professor
(avaliação do professor por cada aluno,
Auto e hetero-avaliação do professor)

5 – Portefólios
6 – Relatório do Professor
Relatório de Actividades
Relatório de clubes
7 – Creditação de Acções de Formação…
8 – Avaliação do Delegado de Disciplina
Ou do Coordenador do Departamento
Referendada pelo Conselho Pedagógico
E Conselho Executivo.

Nível da Avaliação:
Não Satisfaz,
Satisfaz,
Bom,
Muito Bom
e (Excelente)
Tão simples com isto!
____________________________________________________

O que é que faz este Governo’
O que faz esta Ministra e seus apaniguados?
Fazem um ECD nas costas do professores, hostilizam-nos, fazem divórcio com eles…
e agora querem diálogo.
Está tudo às avessas!
Nunca quiseram ouvir os professores,
não dialogaram,
só impuseram!
Inclusive os Sindicatos assinaram
com medo e para que não se apagasse a chama que fumegava..
Mas ela acendeu-se… e agora andam com as calças na mão!

Na manifestação do dia 8 de Novembro…
antes da manifestação pôs-se a sinistra a cantar de galo
no Porto, longe da manifestação
e hipócrita e covardemente apoucou a Manifestação e os professores
e os seus sacristão fizeram o mesmo!
Agora aqui del Rei!

Os ovos de Fafe,
os tomates da Grande Lisboa
deitaram ao lixo o EA ( Estatuto do Aluno)
e agora os alunos entraram em roda livre!!!

Pare-os, Senhora Ministra!
Les enfants sont les anges!

Segure-os!

Agora é que tudo está na corda bamba!
Os professores já entraram em roda livre para a Senhora!
E esta entrou em parafuso! Até teria boa vontade! Mas de boas vontades…

Atenção que os encarregados de educação
ainda não entraram em cena, quando virem as suas crias a chegar ao 12º ano e analfabetos, reprovados às portas da Universidade!
As Fábricas a rejeitá-los por serem asnos e os cotas e o Estado que gastou com eles à media de 5.000,00 Euros ao ano portanto a multiplicar por 12 = 7 0.000,00 Euros vai ser uma festa!
Podem começá-la por antecipação.
O ensino público está na forca; só bas ta abrir o açapão!

Depois não será ovada e tomatina
mas sim mocada na vitrina!
bye, bye!

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