TIRO NOS PÉS DOS SINDICATOS

14 12 2008

Muito tenho escrito sobre esta luta que travamos com uma autista equipa ministerial que apenas quer avaliar para hierarquizar, hierarquizar com quotas, no fundo para um único objectivo: castrar carreiras e reduzir despesa pública à custa dos professores. Os professores deste país têm protagonizado uma rebelião sem precedentes contra uma brutalidade cega de um ME surdo e louco; a Ministra tem a força da Lei, nós a dos números, do senso e da razão.

O problema é que quer queiramos quer não, uma coisa chamada Sindicatos é que tem legitimidade legal para negociar e chegar à fala com a Ministra; todos sabemos que cada vez há menos professores sindicalizados (porque será?) mas o que é facto é que nesta luta dá a impressão que a plataforma sindical nos representa a todos e, pior que isso, todos concordamos com os sindicatos.

É aqui que quero deixar a minha posição pessoal de repúdio a alguns comportamentos dos sindicatos e de algumas das suas decisões. Veja-se, por exemplo, no que deu a reunião do passado dia 11 de Dezembro; tal como eu esperava, e à maneira de Valter Lemos,  foi mais uma… Mais uma reunião de surdos mudos! O ME cai no ridículo de aceitar negociar, mas sem condições, ou seja, dizem claramente que querem conversar mas informam que nada alterarão! Os sindicatos, por sua vez, levavam uma proposta de avaliação da qual, e atendendo ao tabu que dela fizeram, se esperava que fosse inovadora e que pusesse a Ministra e seus lacaios, no mínimo, a pensar, mesmo que dela desdenhassem!

Acontece que a montanha pariu um rato e qual não é o meu espanto quando vejo os Sindicatos a apresentarem uma folha A4 (a Ministra tinha razão) em que meia dúzia de princípios aludem a uma avaliação exactamente igual à que vigorou anteriormente e com a qual nenhum professor sensato pode concordar. Pois então esperavam o quê? Então toda a gente sabe que por muito espectacular que fosse a proposta dos sindicatos (não dos professores) jamais uma Ministra autoritária e prepotente, com as costas aquecidas por uma maioria parlamentar, iria aceitar, quanto mais uma vontade explícita de voltar àquilo que ela mais quer combater!

Claro que isto foi carne para os abutres (leia-se Rangeis, Tavares, Monteiros, etc), que pensam que todos os professores concordam com tal proposta. Desta vez, não tenho grandes argumentos para responder ao Rangel, como costumo!

Quero aqui dizer aos professores, aos Sindicatos e ao Ministério… e aos abutres…  que, tal como milhares de professores que têm opinião própria e não se revêem nos sindicatos, nem precisam deles para expressarem as suas teses, que preconizo uma ideia de avaliação que, se calhar de tão simples, não merece crédito! Continuo a dizer que o papel de um professor não é passar o tempo a provar que é bom profissional; o papel de um professor é ser apenas profissional de Educação e dedicar todo o seu tempo aos aspectos pedagógicos. Se o Ministério desconfia que há muitos maus professores (e com toda a legitimidade), pois bem, constituam equipas multidisciplinares de pessoas de currículo comprovado e imaculado nas diferentes áreas disciplinares e, tal como fazem nas Inspecções às Escolas, mandem-nos inspeccionar os professores; peçam-lhes o que quiserem, assistam às aulas, falem com os diferentes Órgãos da Escolas acerca dos professores, enfim… façam o que quiserem, mas com duas certezas absolutas: o avaliador tem de ter comprovadamente habilitações muito superiores às do avaliado e o professor mais não ter de fazer do que o seu trabalho normal, ou seja, pedagógico.

Portanto, mais uma vez apelo para que deixem os professores ser professores; não nos dividam, ainda por cima por critérios de idade e não de mérito, e venham à escola avaliar-nos. O que a Ministra pretende é colocar as escolas em guerra com facções de professores a disputar quotas e no fim de contas ninguém sabe quem é, afinal, bom ou mau professor em situação de sala de aula. Em muitos casos o avaliador é pior professor que o avaliado, mas como até são amigos, no final está tudo bem, ou à maneira de Sócrates… porreiro, pá! Esta é a aberração mor deste modelo!

Por este andar que ninguém espere o que quer que seja de reuniões entre este ME e estes Sindicatos! Mas há uma coisa que a Ministra pode contar: os professores são muito mais que números e que Sindicatos! Enquanto este absurdo modelo de avaliação se mantiver, recusar-nos-emos a cumpri-lo, até porque a única consequência que temos dessa atitude é a não progressão; ora, a isso estamos já habituados há uns anos!!!

Paulo Carvalho

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28 responses

14 12 2008
Ana A. Lima

Caro colega:
Parabéns!!!! Pela 1º vez vejo escrito e bem escrito o que já tinha comentado com outros colegas: há muitos professores que não confiam nas negociações destes sindicalistas. Devia ter sido logo apresentada uma proposta de avaliação alternativa à do ME, mas não esta, que é…vergonhosa. Assim, vamos novamente ser acusados de querer continuar na “bandalhice” do antigamente e não conseguimos negociar nada.
Ana

14 12 2008
Florbela Santos

É este o meu pensamento!!!!!
Um tiro no pé, diria mais, um suicídio.

14 12 2008
Tiago

Paulo,

para não variar, as tuas posições vão ao encontro com as minhas ideias.
Já fui sindicalizado.
Já não sou sindicalizado.

Nem os posso ouvir com as suas ideias controladas politicamente. São um “rebanho” muito fraquinho…

Abraço
Tiago

14 12 2008
Henrique Vaz

Não concordo com a sua análise… 1º porque, tal como eu, também demonstra desconhecer a proposta do sindicato; 2º porque uma avaliação não tem que ser a metro para ser justa e rigorosa; 3º porque os modelos em vigor nos países ditos mais civilizados não são assim tão diferentes do que já tínhamos sendo até em certos casos menos exigentes do que o anterior modelo; 4º nesta linha a proposta do sindicato é uma evolução face ao modelo do anterior estatuto da carreira docente; 5º não me parece má ideia que o conselho pedagógico e o conselho executivo repartam responsabilidades no processo de avaliação.
Talvez a complexidade da nossa profissão exija mesmo um modelo mais simplificado… a meu ver só existe uma possibilidade que é dar mais autonomia à escola e introduzir uma avaliação de responsabilização… ou seja, cada um é responsável pela equipa que trabalho de escolhe podendo ter repercussões na sua avaliação. Quanto mais se quiser esmiuçar os parâmetros de avaliação mais injustos seremos.
Além do mais, esta avaliação proposta pelos sindicatos da qual o colega discorda por ter dado motivos ao ministério para a ridicularizar é mais do que a que serviu para o mesmo ministério se ter gabado de já ter avaliado 20 mil docentes no ano transacto.
Entretanto lanço-lhe o repto: eu já disse aqui algumas das ideias que tenho do que deveria ser a avaliação… quais são as suas?

14 12 2008
Anabela Godinho

É evidente que não é possível todos os professores estarem exactamente de acordo com as posições defendidas pelos sindicatos (e ainda bem)mas penso que eles são na realidade o orgão legal que dispomos para nos representar e também é verdade que nos ultimos anos nas reuniões sindicais que estive presente os professores estavam pouco representados. Se calhar cabe-nos a nós ser mais exigentes com os sindicatos. É uma pena deixarmos escapar uma oportunidade como esta para credibilizarmos a nossa profissão e nos reafirmarmos como agentes de intervenção e mudança na sociedade, podendo (se nos deixassem) provocar algumas alterações no sentido positivo.

14 12 2008
pjrcarvalho70

Caro Henrique!
Desculpe-me, mas parece que senhor não leu o meu post! Então o senhor pede-me ideias quanto à avaliação que defendo, depois de ler um texto onde o faço exactamente (releia o parágrafo 6)!
Agora, se quiser que eu seja mais específico e descritivo nessas ideias, isso não o iria fazer num post que pretendi conciso! Diz que desconheço a proposta dos Sindicatos? Então é porque no site da FENPROF, eles apenas mostraram essa «folha A4» e ocultaram aquilo o que colega diz que eu desconheço! Não me parece que esteja a ser correcto, Henrique, ou então mostre-me essa proposta que eu desconheço para ver se eu mudo de opinião.
Mas quero dizer-lhe que concordo em absoluto consigo quando fala na inexistência de autonomia das escolas; a minha proposta tem com pressuposto que jamais um ME absolutista e autista dará autonomia suficiente às escolas para cada uma fazer a sua própria avaliação dos docentes, como acontece por exemplo na Dinamarca e com resultados comprovados.
Portanto, se o colega acha que o modelo que estava instituído é justo para com os professores todos, repito, todos, então desculpe que lhe diga, mas dá razão aos abutres que dizem que o que os professores querem é «nenhuma avaliação!»

Paulo Carvalho

14 12 2008
mariaflor

Eu não sendo professora,mas estando atenta ao que se passa.acho que o Paulo escreveu muito bem,principalmente quando diz a fraze principal—deixem-nos ser professores—que para mim é o essencial,irão a casa das pessoas a ver se os pais serão bons pais?acho que nunca o fizeram,e Deus queira que não porque teriam muitas avaliações para fazer e fazer valer,deixem os professores pôr em prática aquilo para que estudaram.Paulo acho que escreveu muito bem,continue a pensar e a agir assim.

14 12 2008
Filipa Silva

Olá Paulo,
Mais uma vez vais de encontro à lucidez de muitos professores. Por muito que me custe admitir, pois são eles, infelizmente, quem nos representa, os sindicatos não fizeram o trabalho de casa. Foram para uma reunião sem a prepararem. Deu desastre e força ao ministério e a todos que pensam que os professores não querem ser avaliados.
Aproveito o teu blog para dizer que, realmente, o nosso sistema de ensino vai muito mal. Um grande n.º de pessoas que frequentaram a escola têm dificuldades de interpretação. Isto verifica-se quando dizem que os professores não querem ser avaliados, depois de já termos afirmado em tudo quanto é sítio que queremos ser avaliados, mas com uma avaliação justa e de acordo com a nossa profissão. Não somos técnicos nem trabalhadores de cadeias de produção.
Para quem ainda está de acordo com este sistema de avaliação, e também poderia chegar aos ouvidos do ME, há professores com folhas de registo que, quando quando alguém lhes pede uma aljuda ou uma ideia, lhe dão a folha com o tempo que demorou, a ideia ou a ajuda que deu, para assinarem e funcionar como um comprovativo de trabalho. Outros há que, estando a dar aulas, pôem os alunos em “tempo de espera” para preencherem registos importantes para a avaliação. O mais importante são os documentos prova e não leccionar. Pensem nisto.
Um abraço e continua a ser a voz, não digo de todos mas, dos lúcidos.
Filipa

14 12 2008
Diogo Filipe

Caro colega:
Admiro-o pela sua faculdade de pensar e partilhar os seus pensamentos… Aprecio as suas ideias… Mas permita-me apenas que também pense e partilhe consigo:
– os sindicatos são constituídos por colegas nossos;
– têm demonstrado vontade em se manterem unidos, apesar de tantos e tantos anos de costas voltadas;
– deverão ser nossos representantes e, para isso, têm pedido sugestões continuamente;
– são os nossos mediadores junto da tutela…;
– por que não apelar à sindicalização de todos os colegas, em qualquer um dos muitos sindicatos que existem?! Ou, por que não constituir um NOVO Sindicato;
– a Democracia reclama Sindicatos ( Salazar bem sabia da sua importância quando os extinguiu!);
– nesta fase difícil que atravessamos, quem não é contra nós é por nós!

Tentemos apoiar quem procura fazer o melhor que sabe! Ajudemo-los a fazer ainda melhor! Precisamos de UNIÃO…

14 12 2008
Vaz Viegas

Caro colega!

Comungo das suas opiniões.
Estou cansada de sindicatos que não representam os professores, transportam ideais políticos e partidários subjectivos e fora de moda.
Temos de os pôr na ordem, a eles e ao governo, cambada de exploradores de quem trabalha honestamente.
Quanto às avaliações quem as quer que as faça, eu estou na escola, podem aparecer, não me mandem a mim ter esse trabalho.
Temos de os denunciar ao Tribunal Europeu pelo número de horas de trabalho que nos exigem.
Eu quero ser apenas professora.

Solidária
Vaz Viegas

14 12 2008
pjrcarvalho70

Tem razão no que diz Diogo!
E garanto-lhe que não invejo o lugar de nenhum sindicalista, ao contrário de muita gente! Mas pergunto: a quem é que os sindicatos pediram opinião antes de apresentarem tal proposta? A mim, não!
Porque é que os sindicatos não promovem debates locais para auscultar a opinião dos professores «de terreno»? Pois a mim parece-me que eles reúnem no seio do seu núcleo duro e deliberam as propostas a apresentar. Tal como os Sindicatos, eu quero o melhor para os professores e para a Escola Pública, mas com franqueza, com propostas destas não vamos lá!
O princípio da hierarquização por mérito, repito, por mérito, é justo em qualquer parte do mundo e no professorado também; o que é preciso dizer à Ministra é que a forma que ela encontrou de fazer essa hierarquização é absolutamente aberrante e carece de princípios de justiça e transparência e dar o real valor a quem o tem, sem a estupidez das quotas!

Paulo Carvalho

14 12 2008
pjrcarvalho70

Cara Vaz Viegas:
Gostei da sua frase: «Quanto às avaliações quem as quer que as faça, eu estou na escola, podem aparecer, não me mandem a mim ter esse trabalho.» É isso mesmo que eu preconizo. Não mandem um professor passar tempo a provar que é bom; se acham que eu sou mau, venha à escola alguém enviado do ME e, devidamente acreditado e fundamentado, prove que o sou e… excomunguem-me, porra!!!

Dix it!
Cumps

14 12 2008
JPG

O problema é que este “tiro nos pés dos sindicatos” de professores não é dado nos pés dos sindicatos, que nem sequer os têm, é dado pelos sindicatos nos pés dos professores.

14 12 2008
Domingos ribeiro

Concordo que a totalidade dos professores ou quase jamais serão uma “cambada” de acéfalos. O Governo não quer ouvir a maioria das pessoas que directa e indirectamente votaram PS! Enganam-se se pensam que os seus votantes são os Belmiros e quejandos. O Caro colega disse, e muito bem, que a nossa correia de transmissão é o sindicato. …Mas, afinal, o que é o sindicato? ……
Pois bem, o sindicato somos todos nós, quer queiramos quer não. De facto o sindicato só deveria representar os sindicalizados mas não é isso que acontece e que já aconteceu, representam todos, toda uma classe. Os sindicatos são aquilo que nós quisermos que sejam! No entanto, as beneces, quando existem são para todos! Que ninguém tenha dúvida! Os professores que de facto estão sindicalizados deveriam participar na democracia interna do seu sindicato. Infelizmente, confesso, não é isso que eu tenho feito, dou a mão à palmatória (e que falta faz).
Tenho lido as suas tomadas de posição e, na maioria delas, subscrevo-as integralmente. Não concordo, que neste momento, esteja a por em causa a eficácia dos sindicatos. As negociações são sempre muito complicadas e muito mais quando para uma das partes o negócio é ou era um facto consumado. O Governo que nós elegemos, face a uma crise que o país atravessa, vê-se necessitado de desviar as atenções dos problemas reais, … encontrou nos PROFESSORES uma saída airosa no sentido de desviar a atenção da opinião pública. Nunca nos devemos esquecer que a maioria dos portugueses ainda “cultivam” o paternalismo. Muita calma! Não tenhamos o dedo no gatilho enquanto estivermos a espreitar para dentro do cano da arma, é muito perigoso!
Se, porventura, alguém tiver outra solução melhor para este problema que o apresente. É uma urgência!
Um abraço.

14 12 2008
Jorge Moniz Ribeiro

Olha Amigo, gostei do teu texto e concordo com a pobreza da proposta dos Sindicatos. A tua seria boa se fosse viável e o que cito do teu texto não o parece, além de que essas equipas mais não fariam durante 24h/dia, 365 dias/ano, não te parece? :
«constituam equipas multidisciplinares de pessoas de currículo comprovado e imaculado nas diferentes áreas disciplinares e, tal como fazem nas Inspecções às Escolas, mandem-nos inspeccionar os professores; peçam-lhes o que quiserem, assistam às aulas, falem com os diferentes Órgãos da Escolas acerca dos professores, enfim… façam o que quiserem, mas com duas certezas absolutas: o avaliador tem de ter comprovadamente habilitações muito superiores às do avaliado»
E QUE TIPO DE HABILITAÇÕES? ACADÉMICAS? (não garantem competência pedagógica, mas tão só provávelmente diferença de modelos; PEDAGÓGICAS? (somos todos tão diferentes e podemos ser todos igualmente muito bons). ENFIM, não é fácil, mas já propus à Senhora Ministra que me nomeie responsável por uma equipa escolhida por mim, que qualquer coisa arranjaremos, melhor do que os seus conselheiros (já terão dado aulas e, caso afirmativo, terão “aguentado” as turmas?).
Um abraço

15 12 2008
Delmira Claro

Colega Paulo concordo inteiramente csg no que diz respeito ao papel dos sindicatos.
Penso que seria mais honesto por parte dos sindicatos que dissessem abertamente, que, nesta transição, se manteria o anterior modelo, pois é disso que se trata! De facto não têm capacidade para nos representar. Continuo a ser sindicalizada , mas não sei se não será este o momento de me “dessindicalizar”!
Estou de facto muito cansada com toda esta palhaçada, mais ainda pelo facto de na opinião pública, isto agora ter sido um argumento para o reforço da má imagem e da falta de dignidade que imprimem à nossa profissão!
Enfim, estou expectante, mas continuo a expressar sempre a minha opinião e a manter-me interventiva apesar do cansaço! Mas acho que isto é comum à maior parte dos colegas. Bem haja Paulo e bem Hajam colegas de profissão!
Delmira- Escola Secundária de Amora

18 12 2008
Maria

Paulo!
Aprecio muito os seus comentários.
Senti necessidade de deixar uma experiência de vida a titulo de desabafo.
Sou directora de uma turma de 6º ano, por indicação do conselho executivo fui induzida a acompanhar a psicóloga da Câmara Municipal a casa de um aluno que se encontra em abandono escolar, o dito aluno encontra-se em abandono escolar já vai para 3 anos, todos os esforços da escola tem sido inúteis, criou-se um currículo especial para o aluno com várias adaptações a nível de horário (visto o aluno não gostar de se levantar cedo). Tudo em vão! Nunca pensei que uma das competências de um director de turma, também passa-se pela visita personalizada a casa dos alunos que se encontrem em abandono escolar.
Senti que fiz uma figura patética, visto o aluno continuar a recusar-se a frequentar a escola e os os pais nada fazerem para não o contrariar.
Sinto-me triste com o sistema de ensino que temos, tudo na base do facilitismo, facilitismo para os alunos, facilitismo para os pais. Horas de trabalho dos professores que vão para o lixo, que ninguém leva em consideração.
Questiono-me acerca do que vai ser o futuro deste pais, em que as crianças de hoje não tem que se esforçar muito ou quase nada para obter aquilo que querem. Estamos a educar crianças que serão os homens de amanhã, provavelmente vão governar o pais na base do facilitismo! Será muito mau que assim seja.
Acho inaceitável que o ministério da educação continue a trabalhar para a estatística é urgente que se crie um grau de exigência maior no ensino.

19 12 2008
mario.janeira

História de Encantar
Era uma vez…
…um(a) senhor(a) que desejava, ardentemente, comer umas maçãs… muito apetecíveis… que se encontravam juntas numa fruteira sólida e de tempos antigos. Mas as malditas, dispostas por camadas, tornavam-se impossíveis de retirar sem que se notasse, de imediato, a sua subtracção. Como era muito matreir(a)(o), e o desejo apertava, a comilona(comilão) engendrou um estratagema peculiar. Colocou no meio da fruteira um pedacinho podre de maçã e esperou uns tempos para que ele actuasse, silenciosamente. Um dia, muito eléctrica(o) e em voz alta exclamou: – Olhem aqui as maçãs a apodrecer. É por estarem juntas. Vou já arranjar outras vasilhas para as separar. E assim fez. Logo de seguida pôs-se a comer, dizendo que só se dedicava às partes podres. Comeu que se fartou… e todos a(o) elogiaram pela sua boa vontade em ajudar. FIM
Moral da História:
Há muitas maneiras de matar pulgas e uma delas é à pistola.
Mário Janeira

19 12 2008
O.Pina

Quem está filiado num sindicato dirigido por um membro do Comité Central do PCP o que é que espera?

27 12 2008
O.Pina

DO BLOG CÂMARA DOS COMUNS
Agora….agora é tarde Mário!

“Há brincadeiras que, pura e simplesmente, não são admissíveis. Os professores não estão nas aulas para brincar e os alunos também não podem estar”, afirmou Mário Nogueira.

Depois de gozar, humilhar e escarnecer de todo o sistema educativo, do ministério e de todos os responsáveis, depois de insultar e promover o desrespeito por parte de alunos e professores, depois de incentivar e ser conivente com “dispensas de aulas para realização de trabalhos de campo na cadeira de acção directa ou anarquia aplicada”, depois de demonstrar a todo o País que não é o melhor acordo que pretende para os professores mas a guerra pura e simples sem qualquer avaliação que seja, excepto a mais estúpida versão da auto-avaliação, Mário Nogueira não tem moral para fazer estas declarações….sem laranjas ou ovos na mão!

Todo e qualquer professor, a sério, dos que trabalham mesmo, preparam e dão aulas, saltam de reunião para aula e de volta para reunião em vez de cirandar em pseudo-encontros e férias administrativas nas falanges dos sindicatos sustentadas pelo erário público, tem ainda autoridade para fazer estas declarações.O Mário…não!

Estes professores têm a moral, têm a sua quota de razão, merecem aliás mais respeito e dignidade, merecem até muito melhor representação, agora o Mário….nem pensar!

Realmente há brincadeiras que pura e simplesmente não são MESMO admissíveis!

27 de Dezembro de 2008 18:54

29 12 2008
Francisco Ene

ANÁLISE CRÍTICA DA PROPOSTA

1º PASSO
AUTO-AVALIAÇÃO

** Toda a avaliação deverá ser transparente e partir do próprio avaliado.

Comentário:
Estranho realce este. Quer a transparência, quer a chamada de atenção de ser o próprio avaliado a ter que ser transparente. Será que fica subjacente que isso nem sempre tem acontecido até agora?

** Nesta perspectiva, todos os critérios e vectores de avaliação têm de ser controlados pelo avaliado.

Comentário:
Controlados, como? É o professor que controla os critérios da sua própria avaliação? Um critério com o qual o professor não esteja de acordo acontece-lhe o quê? É eliminado ou limado até que o avaliado esteja de acordo com ele? O termo “controlado” será um excesso de linguagem, ou ideologia, querendo significar “do conhecimento antecipado”, podendo manifestar-se contrário ao mesmo?

Tendo em conta a filosofia adjacente ao acto de avaliar, esta ideia poderia ser transposta para a avaliação dos alunos, ou para estes o conceito de avaliação altera-se?

A impossibilidade desse controlo inviabiliza um critério enquanto tal. O trabalho de auto-análise não é só importante, ele é indispensável a um modelo eficaz que pretenda reflectir o desempenho real, pelo que o processo deverá contemplar a auto- -avaliação.

Contemplar significa ser uma boa parte do processo, ou apenas um elemento entre vários? Considerando que este “1º passo ” se prefigura como 1/3 da avaliação (e o mais importante), pode concluir-se que não se trata bem de contemplar mas determinar, pelo menos, 1/3 da avaliação do professor?

**A auto-avaliação desenvolve-se de forma permanente, durante cada ano lectivo, sendo objecto de discussão partilhada, com especial ênfase no final de cada ano lectivo.

Comentário:
Na prática, partilhada como e por quem? Sendo uma auto-avaliação, o que obriga, em termos de critério, o professor a partilhar essa auto-avaliação e qual a resultante da mesma no processo de avaliação do docente? Trata-se de uma partilha daquilo que fez ou foi capaz de fazer, ou o que não fez, porque não soube ou não foi capaz de concretizar?

**No final de cada escalão todo o processo anterior deverá conduzir à apresentação de uma proposta de menção qualitativa.

Comentário:
Não se encontrando especificado, pode concluir-se que é o próprio docente que apresenta uma proposta de menção qualitativa. Portanto avalia-se e propõe para si próprio o resultado dessa sua avaliação? Presume-se que o avaliado, num número de casos difícil de calcular ou imaginar, se irá avaliar de forma menos positiva, quiçá negativa mesmo? Esta presunção faz do professor uma classe profissional sui géneris, ou não?

** Como instrumentos de suporte a todo este processo podem considerar-se várias hipóteses de registo, entre as quais, a elaboração de um portefólio de registos, relatórios críticos da actividade docente, ou outros que as escolas considerem relevantes.

Comentário:
Portanto, nada mais que a documentação que o docente está obrigado a coligir na sua actividade normal, a que se junta uma auto-crítica da sua actividade. Tendo em conta a solicitada e, ou, presumida “transparência do avaliado”, este deverá exarar uma crítica sobre o que, naturalmente, de melhor fez, ou soube fazer.

A auto-crítica pressupõe aqui uma separação momentânea entre o avaliado e um avaliador de ocasião; ou seja, o próprio avaliado que se despe momentaneamente da própria pele, para vestir a de um avaliador, que se supõe, isento sem parte de interesses no processo!?

**Como referentes de avaliação deverão ser considerados os critérios nacionais e os decorrentes dos projectos educativos e curriculares de escola.

Em final de escalão o docente elabora uma proposta fundamentada de menção qualitativa que será entregue às estruturas pedagógicas em que o docente está envolvido.

Comentário:
Confirmando a suspeita anterior, o docente propõe a menção qualitativa que acha que ele próprio merece. Em resumo o docente irá avaliar a exaltação que faz do seu próprio trabalho. Deixa portanto em aberto a presunção de que alguém irá classificar-se negativamente, num processo inédito de auto-flagelação? O juízo em causa própria excede aqui tudo aquilo que se poderia imaginar. De facto, só um “sindicato” como este poderia apresentar uma proposta hilariante como esta.

2º PASSO
CO-AVALIAÇÃO

**A prática da co-avaliação implica que todos os elementos de uma determinada comunidade educativa possam ser avaliados mas também avaliadores. Mantendo-se a paridade profissional no reconhecimento de que estamos numa profissão em que todos temos a mesma habilitação de base e profissional, a co-avaliação resolve o problema do reconhecimento da autoridade do avaliador uma vez que há a co-responsabilização de todos os pares.

* A co-avaliação, avaliação partilhada, desenvolve-se de forma permanente, nos momentos considerados necessários pelas estruturas pedagógicas de cada escola ou agrupamento, contemplando registos escritos a ter em conta nos momentos formais do processo.
* Esta modalidade de avaliação contempla o acompanhamento dos percursos individuais enquadrados nos critérios nacionais e nos decorrentes dos projectos educativos e curriculares da escola/agrupamento.
* Este trabalho deve contemplar também o aferir dos êxitos e sucessos do grupo à luz dos objectivos traçados no início de cada ano lectivo, procedimentos a alterar ou melhorar, reflexão acerca das causas impulsionadores de sucesso e das causas de fracasso pedagógico, e ainda, apreciar as menções individuais que lhe forem presentes. O resultado espelhar-se-á num relatório crítico por ano lectivo, onde terão de ser registadas as propostas de menção individual aqui aprovadas.

Comentário:
Tendo em conta que esta fórmula pode, de facto, conferir algum auto-controlo inter-pares, como escorar eventuais perversidades tais como:

1- Diluição de responsabilidades individuais no intuito de mascarar erros, carências ou incumprimentos programáticos da responsabilidade do grupo?

2- Como separar, ou clarear, interesses corporativos intra-grupo no seio da escola?

3- Como diluir eventuais interesses de afinidades, ou a sua contrária, consubstanciada em desconformidades pessoais inter-pares, que possam reflectir-se na avaliação, desvirtuando por completo o conceito de valoração justa do desempenho profissional do docente, que lhe garanta um proveito e valorização na carreira, que se há-de reflectir na qualidade do ensino a ministrar, logo, melhor educação?

Esta proposta não cairá na mesma exaltação, agora corporativa, do desempenho do grupo a reflectir-se em cada docente? Uma avaliação justa – e necessária, supõe-se, no critério do Sindicato – não terá que admitir que a natureza humana pode desvirtuar qualquer conceito de pureza e transparência, cujo exercício, à partida, é um direito de exigência de todos? Ou seja: como perspectivar o exercício dos três pontos anteriormente elencados, tendo em conta a universalidade do país? Os professores vão uniformizar o quê? A forma da sua própria exaltação?

3º PASSO
AFERIÇÃO PROCESSUAL DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO

* * Em cada escola/agrupamento de escolas deve ser criada uma Comissão de Avaliação do Conselho Pedagógico, que integrará docentes eleitos de entre os membros do Conselho Pedagógico, podendo este indicar outros docentes da escola/agrupamento que não pertençam a este órgão, sendo que os representantes do Conselho Pedagógico devem ser sempre em maior número.
* As suas funções consistem, fundamentalmente, na análise das propostas de menção, e respectiva fundamentação, no sentido de verificar se cumprem os requisitos processuais e se espelham o trabalho feito pelo docente.

Comentário:
Como pode esta comissão avaliar “o trabalho feito pelo docente” se não tem qualquer instrumento prático que lhe proporcione elementos ou termos de avaliação? A comissão vai discutir a menção que lhe chega ao conhecimento com base em que critérios práticos? Tendo em conta que a sala de aula é um espaço hermético na esmagadora maioria das áreas disciplinares, como pode o próprio grupo avaliar o que lá se passa e como pode esta comissão fazer juízos de valor? Em suma, em que bases se movimenta para avaliar? Avalia o quê e como?

**Caso a Comissão não concorde com a menção proposta, seja por defeito, seja por excesso, em todo o caso por disparidade entre o trabalho desempenhado e os critérios de avaliação, decide por uma menção diferente da proposta, devidamente fundamentada e sempre passível de recurso por parte do interessado.

Comentário:
Por fim. Esta proposta não é mais do mesmo? Ou seja: não carreia a mesma inconsistência em que se traduzia a “avaliação” existente, constante de um relatório elaborado pelo próprio, a que se juntavam comprovativos de acções de formação frequentadas (quaisquer acções), o qual nem sequer lido era na maior parte das vezes pelos Conselhos Directivos, que, na melhor das hipóteses, e como salvaguarda, apenas os mandavam verificar quanto à forma processual?

Pode o Sindicato continuar a afirmar que havia uma avaliação dos professores que configurava esta farsa tolerada pelo sistema e exaltada pelos Sindicatos, de que se pode fazer prova factual em qualquer momento ou circunstância? Não caberá ao Sindicato uma outra responsabilidade a traduzir-se no empenhamento na construção de uma alternativa construtiva à proposta do ministério e não na elaboração duma espécie de música celestial aos ouvidos dos professores, tendo em conta a alternativa, pouco menos que inconsequente, proposta pelo ME?

Nota

Convirá acentuar e esclarecer os possíveis leitores de que esta crítica nada tem a ver com as propostas de avaliação emitidas pelo ME. Trata-se apenas e só de uma crítica à presente proposta do Sindicato, que se afigura incorrecta e insensata à luz de uma exigência premente, consubstanciada na necessidade de implementação de critérios consequentes de avaliação, que permitam ao docente, à escola e ao ensino perceber e consignar o que somos e que tipo e dimensão de ensino queremos ter.

Se na verdade os professores querem ser avaliados, como afirmam e afirma o sindicato, “isto” é algo de sensato que dignifique uma classe profissional vilipendiada até hoje, sim, precisamente por via deste tipo de “rasteirices ” e jogos pouco dignos da dimensão ética profissional que reivindicam?

E já agora.

O rebaixamento indecoroso que diariamente se tem vindo a fazer na internet de pessoas com as quais discordamos frontalmente (mas que nos devem merecer um mínimo de respeito, em termos de cidadania), reflecte a dignidade de uma classe profissional que se diz querer respeitada no que de mais puro um educador deve reflectir: a sensatez, o decoro e a educação?

Alguns professores que têm vindo a descer abaixo de um limiar de decoro profissional proferindo e aplaudindo os epítetos mais grosseiros que se poderiam imaginar, são os professores que temos? Aqueles que pretendem convencer a opinião pública da sua razão e da razão da sua luta?

Francisco Ene

(prof. – 67 anos)

29 12 2008
pjrcarvalho70

Caro Francisco: Eu já tinha aqui postado acerca do tiro nos pés dos sindicatos, opinando justamente que acho confrangedor que depois de tanto tabu, os sindicatos apresentem uma simples proposta para, na generalidade, tudo ficar como estava; ora, como eu acho que a avaliação que vigorava, não pode sequer disso ser chamada, concordo em geral com os seus comentários; mas continuo a dizer que tudo isto, num país decente, se resolvia facilmente, sem todo este regabofe que afinal de contas prejudica toda a gente; dêem autonomia às escolas (não a fantochada que existe, a que chamam autonomia) e deixem cada uma avaliar o seu corpo docente! Afinal, que escola não quer o melhor para os seus alunos e não pretende o sucesso total da sua acção? Olhem para a Dinamerca (um dos tais país decentes) e vejam como é….
Enfim… é o país que temos… mas feito pelas pessoas que temos!
Cumprimentos

29 12 2008
Francisco Ene

Por lapso não referenciei que o documento em análise no post anterior é a brilhante proposta de avaliação da FENPROF.
Algo que nos devia envergonhar a todos. Ou, pelo menos, aos que acreditaram nos Sindicatos…

Não nos queixemos pois dos “líderes” que deixámos liderarem este processo.

Uma ORDEM DE PROFESSORES já !

Os Sindicatos que fiquem com a política.
Aos professores cabe apenas preservar e elevar a sua dignidade.

Francisco Ene

30 12 2008
Francisco Ene

Meu Caro P Carvalho

Discordo em absoluto.
Uma avaliação terá sempre que ser a nível nacional, com as mesmas regras iguais para todos.
Ora, se cada escola promovesse a sua avaliação, ainda que com regras nacionais, cada uma transformá-las-ia em regionais e à sua medida. É o costume e assim continuaria a ser.

O maior óbice desta avaliação deve-se à circunstância do avaliador e avaliado serem partes do mesmo interesse. Ora isso é obviamente ridículo e naturalmente pernicioso.

A avaliação terá um dia o caminho certo, quando os Conselhos Executivos deixarem de ser professores (ou pelo menos professores que já não dão aulas; serão então apenas executivos) passando a avaliação a ser efectuada por estes, de acordo com regras instituídas a nível nacional.

Se quer um exemplo de avaliação nestes termos, tem o Canadá, que não me parece um país do terceiro mundo, nem da América Latina.
O Director da Escola avisa o professor que nos dias tal e tal (normalmente 3 dias consecutivos ou com pequenos intervalos entre si) irá assistir às suas aulas. Daí resulta uma avaliação, sempre com a possibilidade do professor contestar os termos em que esta é feita, circunstância que decorrerá com o apoio do Sindicato, que disponibiliza técnicos credenciados… “nenhum com correia de transmissão pendendo da garganta, em ligação directa a partidos políticos…”.
Esta avaliação é feita de 4 em 4 anos.

Cumps.

Francisco Ene

30 12 2008
pjrcarvalho70

Caro Francisco:
Eu percebo o seu ponto de vista, mas tem de admitir que está a partir sempre do pressuposto que C. Executivo e professores têm os mesmos interesses e que os primeiros colocariam os interesses dos segundos acima da qualidade e transparência do serviço na sua escola; ora isso não me parece que acontecesse na maioria dos estabelecimentos.
Por outro lado, qualquer C. Executivo sabe perfeitamente hierarquizar o seu corpo docente; sabe perfeitamente quem trabalha e se dedica mais à escola e quem apenas lá vai buscar o ordenado; em relação a estes, um C. Executivo que os ignore e os coloque em igualdade com os outros, não pode exercer funções.
Afinal de contas, há aqui uma coisa que eu tenho dificuldade em aceitar: tantos patamares de professores… Como em qualquer sistema há o mau e o bom; afinal um professor regular é o quê? Segundo consta, é quase um malfeitor na escola. Uma coisa regular é uma coisa normal, que cumpre a sua missão.
A partir do momento que se prove que os professores são normais e cumprem a sua missão, acho que não mais podem ser acusados de causadores de todo este pantanal da Educação em Portugal, isso sim, a grande falácia, o grande erro, o grande engano que se quer fazer passar; há maus professores,e muitos, mas nunca aceitarei que seja na avaliação dos professores que esteja a resolução dos problemas do ensino em Portugal. Enquanto este povo tiver esta mentalidade e esta cultura (e vai te-la por muitos anos) podem cá colocar professores da Finlandia e do Canadá que ninguém fará milagres; esta ideia ninguém ma tira!

cumps

8 01 2009
Francisco Ene

Meu Caro

Isto daria pano para mangas. O mundo da opinião é tão vasto quanto cada cabeça sua sentença.
Apenas deixar-lhe o que obtive directamente de quem vive por dentro do ensino no Canadá. Não uma informação lida num qualquer site, onde muitas vezes se acaba por deturpar o que lá vem, de acordo com uma determinada feição que se pretende inculcar em quem depois nos vai ler, de acordo com interesses, mais das vezes abstrusos e deontologicamente pouco saudáveis.

Quando questionei a pessoa em causa se em alguma circunstância o avaliador (sempre o elemento do C. Executivo) poderia ser um professor (no exercício da actividade profissional) a resposta foi taxativa.
“O avaliador ser um professor, aqui, é apenas IMPENSÁVEL…”.

Retirará daqui aquilo que achar ajustado.

Por fim.
A avaliação é um imperativo.
Como fazê-la eu tenho a minha opinião, você a sua, o outro outra e até a ministra tem a dela…
Mas deixe-me dizer-lhe, e isto tem, descorporativamente, (olhe só o palavrão….) que ser dito.
Não sei qual a percentagem; mas admito que mais de metade dos professores no activo não estão minimamante interessados em avaliação alguma. Falta é coragem para o admitir publicamente. E isso deturpa muita coisa meu caro P.C. .

Não é necessário ser muito inteligente, nem sequer corporativamente sensato, para perceber que uma classe que sempre atingiu o topo da carreira sem ondas e sem ter que, em circunstância alguma, provar aquilo que vale, venha agora abraçar a ideia de ser avaliado e eventualmente impedido de aceder ao topo da carreira (sem enveredarmos, mais uma vez, pela forma como a avaliação é proposta; essa é outra guerra), tendo para o efeito que se dedicar mais, ser melhor professor e, logo, proporcionar melhor ensino.

Digo-lhe meu caro, que me parece bem mais novo que eu:
Quase 40 anos de carreira; jamais alguma entidade assistiu a uma aula minha, ou questionou o meu ensino. Posso ter dado as piores aulas do mundo que ninguém sabe. Ninguém sabe!
E isto é um absurdo. E você sabe, qualquer professor sensato sabe, quem trabalha na sua escola, quem se dedica e quem vai lá buscar o salário.

Uma avaliação não deve ser vista pelo mero prisma de avaliar para complicar a vida do professor (voltemos a não referir o presente processo que está eivado de erros).
A avaliação obriga o professor a ser melhor professor, obriga os não responsáveis ( e você não terá dúvidas que os há, faltando contabilizá-los, o que seria interessante fazer) a serem bem mais responsáveis, logo melhores professores, e assim sendo tudo isto a desaguar em melhores resultados, melhores alunos e naturalmente melhor ensino.

Esta luta de professores perde alguma da sua razão pelo tipo e forma de liderança em que os professores, de uma forma um tanto cega, se deixaram levar.
A abominável proposta de avaliação dos sindicatos revela não só o fim que aqueles pretendem atingir (ao tocarem música celestial aos ouvidos dos professores), como os interesses claros do sr. Mário Nogueira. E logo veremos, a breve prazo, se ele obtém ou não aquilo que persegue, usando os professores como trampolim. Bastará verificar quem irá suceder a Carvalho da Silva na Intersindical. Ou, no mínimo, quem se vai postar em bicos de pés para lá chegar.

Ainda dizer-lhe que ultimamente noto uma alteração (para melhor) na sua acção nesta luta de professores.
Sem a especificar, porque a sua argúcia se encarregará de o fazer, continue a separar o trigo do joio, porque o trigo o merece e o joio precisa de ser joeirado e lançado ao rio onde os peixes dele farão farto repasto.

Cumprimentos.

Francisco Ene

8 01 2009
pjrcarvalho70

Meu caro Francisco:
Está a ver que afinal estamos de acordo. O colega acaba de dizer justamente aquilo que eu penso; alude várias vezes ao facto desta forma de avaliação estar eivada de erros; ora é justa e unicamente essa a minha luta! Eu concordo em absoluto que há muitos professores que não querem avaliação alguma porque têm medo que ela venha provar os maus professores que são; no entanto sou um acérrimo defensor de uma avaliação, mas nunca de «Kramer contra Kramer», ou seja, professores a avaliar professores que trabalham no mesmo local e serão porventura amigos, ou não…
Continuo a pensar que a avaliação deve ser externa e um professor não precisa de perder tempo para provar que é bom; precisa é de preparar e dar as suas aula tranquilamente; os avaliadores que entrem na sala, observem e avaliem! É tão simples quanto isso!
Este modelo jamais conseguirá disfarçar que apenas tem por objectivo de castrar carreiras e conter despesa e não melhorar o que quer que seja!

Finalmente, confesso que tal como muitos professores, estou cansado, estafado e farto de toda esta porcaria (é isso mesmo!) desta guerra suja, que é já muito mais um braço de ferro com casmurrice à mistura do que preocupação com o que quer que seja. Depois das últimas intervenções do Jorge Pedreira e de começar a ver as reacções à minha volta, apetece-me suicidar-me profissionalmente!

Paulo Carvalho

8 01 2009
PORTUGAL

Estamos no sec. XXI. É preciso usar as armas que temos para fazer a revolução. E essas já não são feitas em Samora Correia, na Rússia ou na América. São as que o maior poder da actualidade, EDUCAÇÃO, nos dá. É necessário usar uma nova pedagogia da MUDANÇA. E os quartéis são as ESCOLAS. É aqui que reside o PODER DO FUTURO. Temos as novas e mais eficazes armas para atingir esse objectivo. Só precisamos de estar unidos, convictos na luta e certos da VITORIA. A NOVA REVOLUÇÃO chama-se EDUCAÇÃO e vai sair das Escolas, conciencializar a Sociedade e EMFRENTAR A CORJA QUE QUER LEVAR ESTE PAÌS À RUINA. É preciso isolar os maus políticos; limpar os Gestores corruptos; denunciar quem não sabe decidir na justiça; PROMOVER OS MELHORES! A EScola DEVE cumprir os seus OBJECTIVOS: MUDAR A SOCIEDADE! ESTAMOS EM LUTA, NÃO PODEMOS VACILAR!

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