PONHAM AQUI OS OLHOS, SRs PROFESSORES!

21 01 2009

Ultimamente, e por falta de tempo, o meu repúdio a este Governo, sobretudo a este ME, tem sido mais praticado do que escrito. Pratico (faço todas as greves, ignoro por completo qualquer acto relacionado com esta fantochada de avaliação e prefiro dedicar-me à minha escola e aos meus alunos) porque não tenho MEDO. No dia que eu tiver medo de um Governo do meu País, suicido-me!

É exactamente pela tristeza que sinto de ver muitos colegas perderem o fôlego nesta luta, por manifesto medo ( até de serem exonerados, eu já ouvi!) que resolvi aqui publicar um texto sublime de uma colega de Barcelos!

Ponham-lhe os olhos! Meditem nele! Acreditem que não podemos deixar-nos vencer pelo medo! E como diz Barack Obama: «yes, we can!!!»

Onde estais vós, gente de pouca fé?! Hoje dói-me a alma, a desilusão apoderou-se de mim. Tenho vergonha de pertencer a uma classe de professores que tem medo; que não acredita que para se conseguir algo são necessários sacrifícios; que é agora ou nunca; que o tempo urge; que já não há que acreditar em falsas promessas. O hoje passou e o amanhã não será melhor, se nada fizermos. Onde pára essa gente de fortes convicções? Estou cansada de ouvir tantos disparates, tanta caricaturização, tanta justificação, tanta falta de informação !!! Onde estão os 120 mil ? Fizeram como a avestruz?
Hoje confirmei que portugueses há muitos, mas quero aqui tecer um elogio a todos aqueles que acreditam e têm vontade de mudar este país.
Tenho vergonha dos nossos representantes políticos. Politizaram uma questão tão séria como é o ensino público, pondo em risco a continuação de um ensino público credível, brincaram com a vida de 120 mil profissionais.
Não sou fundamentalista, mas temo pela democracia neste país e quero que os meus filhos vivam em democracia.
Nestes últimos anos senti-me ultrajada por um ministério que não me respeita.
Hoje dei mais um passo em frente… não entrego, nem entregarei os objectivos individuais, faço uma greve por período indeterminado, faço tudo o que ainda estiver ao meu alcance para derrubar esta política de ensino insana. Não aceito que um ano de luta acabe por “parir” um rato.Não me venham com a treta de que devo ter outros meios de me sustentar. Não, não tenho. Tenho quatro filhos a estudar, um na Universidade, um apartamento e um carro que pago às prestações e todas as despesas inerentes a uma família numerosa. Não tenho pais ricos, aliás a minha mãe é viúva e aposentada. Ah! e já não tenho marido.
Quando ouço alguns colegas que desabafam “Ai, eu tenho um filho a estudar na universidade e não posso perder parte do meu ordenado”… Pois eu também tenho um na universidade e mais três em idade escolar.
Esses três mais novos acompanharam-me a Lisboa, quis dar-lhes uma lição de democracia ao vivo e a cores e quero ser um exemplo para eles. Quero que eles no futuro sigam o meu exemplo, não aceitem nada com base no medo, que lutem pelos seus ideais, que sejam gente com valores, carácter, com fortes convicções e cidadãos bem formados.

Maria da Glória Costa, uma mulher de uma só cara!

(Escola Secundária de Barcelos)

postado por Paulo Carvalho

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13 responses

21 01 2009
mariaflor

É o que eu digo as Mulheres teem que começar a ser respeitadas por o que fazem,eu gostava de ver quando um dia as mulheres desses tais que teem estado no governo deste país ,um dia disséssem,acabou se queres comer faz tu,se queres roupa lavada faz tu,se queres ter uma casa decente faz tu,e outras coisas mais,as senhoras professoras estão a ser tratadas pelo seu ministério como quase todas nós somos tratadas pelos homens maridos,temos que começar a ser respeitadas,e esta senhora é uma grande Mulher ao dar a cara como ela diz.Respeitem-nos por favor.

21 01 2009
Fernanda Abreu

Cara Colega
Senti -me bem a ler o seu testemunho. Está tudo lá, não é necessário acrescentar mais nada, a não ser dar-lhe os parabéns, e desejar-lhe o melhor da vida. Eu pensava que era lutadora mas agora vejo que existem MULHERES muito ESPECIAIS e muito MAIORES do que eu.

21 01 2009
adriana santos

Excelente texto!
Não podemos deixar-nos vencer pelo medo!
“Não há machado que corte a raíz ao pensamento” – Manuel Freire

21 01 2009
isa

sem palavras, é tudo o que sinto. algumas pessoas deveriam ter vergonha de entrar nas escolas. inicialmente estavam na frente de luta e depois são os primeiros ratos a pedir aulas assistidas!!!! de facto com professores destes não vamos a lado nenhum.

21 01 2009
Joaquim Moedas Duarte

Impressionante e comovente! – este testemunho.

Confrangedor! – o medo das pessoas que estão prestes a morrer a na praia.

Caramba! Não percebem que este Governo já está a prazo – só mais uns meses até às eleições? …
Não vêem que perdeu a credibilidade, com as sucessivas mentiras e “enganos” técnicos (incompetência!!!) quanto á extensão da recessão económica?
Não percebem que a treta da avaliação simplex é só para este ano e que, se a luta esmorecer, no próximo ano nada a fará resuscitar?

Acordem, colegas!

21 01 2009
Vítor Rocha

Congratulo-me com a posição desta colega e secundo-a!
Também na minha escola tenho escutado a linguagem do medo… e isso entristece-me, muito. A minha luta tem sido a de desmistificar esta política de terror mais ou menos velado, instaurada por este governo e por este ministério. Quero relembrar a todos os colegas que os que têm medo devem juntar-se ainda mais àqueles que não temem, pois com eles, ombro a ombro, sustentarão as fileiras da resistência e que esta será tanto mais eficaz quanto maior o número daqueles que a endossam. Por isso eu digo: NÃO TENHAM MEDO, porque a nossa luta é justa e porque não há sanção nenhuma que possa ser aplicada a 60.000 lutadores com a facilidade que os mentores da política do terror querem fazer crer, quanto mais a 120.000. LUTEM, e não deixem que o medo de hoje vos condene amanhã. LUTEM pela dignidade de ser professor e ensinar bem numa escola pública de qualidade. LUTEM pela dignidade de ser homens e mulheres LIVRES da opressão daqueles que só pensam a um horizonte de uma legislatura. LUTEM E SEJAM DIGNOS de um 25 de Abril que disse: “DITADURA NUNCA MAIS!”

22 01 2009
Porfírio Silva

Dados os interesses deste blogue, talvez não seja abusivo notar que publico hoje algumas observações sobre o artigo de Lídia Jorge no jornal Público do passado dia 9, sob o título O racionalismo da acção enganou a humanista?

23 01 2009
pjrcarvalho70

Obrigado Porfírio pela partilha!
Cumps!

22 01 2009
Acção Directa

( Felizmente ) já saí há muito.
Mas a minha filha, hoje, num liceu de ” referência ” está a ter aulas, por exemplo, em contentores onde já chove.

Vou linkar.

23 01 2009
Domingos ribeiro

Nunca nos devemos esquecer que o sucesso de “Auschwitz” assentou em divisões sucessivas de um povo que colocava os seus princípios e valores como garante da sua existência. No entanto, aconteceu o que aconteceu porque foram ingénuos! Estou redondamente de acordo com a nossa estimada Colega. Luta! … é luta! Vamos todos até ao fim?
Em jeito de união, gostava de perguntar aos ilustríssimos colegas o porquê daquela correria ao “Galardão” de titular?
Nunca se esqueçam que a recepção dos “desgraçados” acabados de chegar aos campos de concentração fora feita por seus iguais, ou seja, por outros Judeus que foram poupados, temporariamente, e que estavam convencidos que não iriam morrer.

23 01 2009
ASilvério

Parabéns pelo seu texto, colega!
Ao lê-lo senti vergonha de mim mesma!… Estive nas duas manifestações, fiz as 2 greves, assinei uma moção no meu agrupamento para continuar a suspensão desta avaliação. Mas sinto MEDO.
O seu testemunho ajuda-me a ultrapassar este sentimento.
Vamos continuar a nossa luta.

10 02 2009
ana

coragem é o que se pede agora e sempre aos professores. Temos de vencer o medo.
Já não falta muito para ganharmos esta luta!
Este governo está a prazo.

11 02 2009
Maria João

Tenho vergonha! Não por mim que resisto, que não alinhei na objectivada mas pela escola a que pertenço. Depois de atitudes de alguma coragem como; repudiar esta pseudocarreira e esta pseudo-avaliação, greves de mais de 90%, reuniões de professores, etc, tenho vergonha de ver naquilo a que, ainda , chamo a minha escola, a EB 2,3 de Alcochete, se está a tornar: muitos objectivos entregues, muitos pedidos de Muito Bom e Excelente, muita gente à procura de um lugar ao SOL, esquecendo que este devería ser para muitos e até para todos, muito medo e muito coordenador a fazer reuniões conjuntas……. para delinear objectivos. Foi bonito, o 8 de Março, o Novembro e todas as acções desenvolvidas, foi uma classe que despertou, temos de agradecer aos iluminados do Ministério da Educação. Foi um feito. Vai ficar para a história do nosso País mas será que também vai constar um triste final….alcançado pelo imperar do medo??!!
Obrigada colega de Barcelos, fico contente, não estou só neste Portugal. Espero que haja MAIS nesta jangada de pedra.

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