CONCORDO COM O SÓCRATES! E ESTA HEIN?

Muito já se escreveu sobre a manifestação de ontem, 8 de Novembro! Contudo, como penso que já não há ninguém neste país que não saiba o que nos move, e só por má fé ou fundamentalismo político não nos dá razão, vou apenas tecer alguns comentários acerca do que ontem se passou. Começo por convidar-vos a ler a reacção do PM, in Correia da Manhã on line:

O secretário-geral do PS, José Sócrates, lamentou este domingo em Coimbra o “oportunismo político” dos partidos da oposição nas reacções à manifestação que ontem juntou dezenas de milhares de professores em Lisboa, em protesto contra o modelo de avaliação.

Na sua intervenção no XIII Congresso Distrital do PS de Coimbra, Sócrates considerou “lamentável o oportunismo dos partidos”, que “devem servir defender o interesse do geral do país e não para se colarem a reivindicações corporativas na esperança de ganhar uns míseros votos”.

“Os partidos de oposição sem tema e sem discurso andam à procura é de qualquer manifestação ou descontentamento para então poderem liderar. O que ficou visível foi que os partidos fizeram um lamentável aproveitamento político da manifestação”, afirmou o também primeiro-ministro.

“Já não esperava nada dos partidos à nossa esquerda, que têm a habitual estratégia de protesto, mas que o principal partido da oposição, que ainda há uns meses atrás aquando da outra manifestação dizia ao PS que se recuasse era uma vergonha, venha agora dizer que o Governo deve recuar”, criticou Sócrates, referindo-se à posição do PSD.

O primeiro-ministro enfatizou o discurso da ministra da Educação, reiterando que “a avaliação de professores é essencial para que (se possa) garantir um sistema justo e também uma escola pública de qualidade que se orgulhe dos seus professores”.

Sublinhando que se trata de um “acto de justiça e reconhecimento”, Sócrates sustentou que “todos compreendem que o pior que existia em Portugal era o sistema que se baseava apenas na promoção automática”.

Quero aqui dizer, claramente, que Sócrates tem toda a razão! Aliás, em todos os 6 parágrafos anteriores o PM transborda razão! Antes de me baterem, por esta assunção, acabem de ler as minhas palavras e quem delas discordar faça o favor de retorquir.

Confesso que apesar de ter ido às duas manifestações com toda a pujança, demonstrar o nojo que me mete este governo e esta política educativa, não me enojam menos, alguns comportamentos que delas decorrem. E acreditem que o que mais vómitos me causa, é de facto este oportunismo político; mas, se nada me admira este comportamento, vindo de uma asquerosa classe política portuguesa (toda ela, sem excepção), já me indigna o facto dos Sindicatos deambularem ao sabor do vento dessas tomadas de posição e fazerem disso opinião geral dos professores!

Eu não sou sindicalizado e, ainda que fosse, demarco-me por completo desta atitude! Eu não preciso do apoio da Dra. Manuela F Leite para estar convicto da minha razão; e gostaria que nenhum professor de tal necessitasse! Lembrem-se que o PSD em Março piscou o olho ao Governo aquando da sua inflexibilidade! Que raio de conduta é esta? Como é possível que pessoas com meia dúzia de neurónios que sejam, ainda dêem crédito a falácias politicas? Por favor, não invoquem apoios partidários, infestados de oportunismo eleitoralista, para reforçar a nossa razão! A aberração geral que qualquer mortal, de mente despoluída,  constata neste modelo de avaliação e no ECD é mais do que suficiente para essa razão ser dogmática!

Portanto, nunca me imaginei a dizer isto, mas Sócrates tem toda a razão naquilo que diz!

Mas se lerem o 5º e 6º parágrafo, a razão continua a assisti-lo! “a avaliação de professores é essencial para que (se possa) garantir um sistema justo e também uma escola pública de qualidade que se orgulhe dos seus professores”.  Não há professor que não concorde com isto, certo ou não? « o pior que existia em Portugal era o sistema que se baseava apenas na promoção automática”. Também concordo! Mas que porra de ideia peregrina a de que os professores não querem ser avaliados! Que estupidez!

Apelo daqui a que os professores se demarquem de posições alheias e que defendem as suas convicções sem reservas nem medos!

O facto de se alinhar numa manifestação de 100 000 pessoas, não nos pode tirar o direito de discordar de muitas posições e comportamentos da maioria! Sou avesso a jargões proletários e, por exemplo, achei que aquele minuto de silêncio rigorosamente cumprido por todos, valeu por mil rimas proferidas pelo animador de serviço! Piu, piu… está na hora… e não sei que mais, parecem-me gritos de humor ao estilo de claque de futebol que a mim nada me entusiasmam! E os políticos gostam é disso!

Amigos e colegas: celebrem a vossa razão com atitude! Dêem voz à vossa indignação com acções úteis a nível local; resistam a esta perfeita loucura vinda de políticos que nunca souberam o que é uma escola na sua essência! Continuem a dar primazia aos alunos! Não deixem que a escola vos apoquente ou cause stress! Os alunos são mais importante que as grelhas, os relatórios ou os projectos! Tenho a certeza que se as pessoas que estiveram em Lisboa assim fizerem, ignorando ou boicotando esta absurda investida governamental, uma de duas coisas irá acontecer: ou são instaurados 100 000 processos disciplinares, ou este Ministério se retrata da porcaria que tem feito; a mim parece-me muito mais provável a segunda!

Paulo Carvalho

 

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